Previa: Os preços do milho enfrentam pressão no mercado internacional devido à previsão de chuvas nos Estados Unidos, enquanto o atraso na colheita da safrinha brasileira sustenta os valores internos.
Os contratos futuros de milho na Bolsa de Chicago (CBOT) estão em queda nesta sexta-feira (31), refletindo a expectativa de melhorias nas lavouras dos Estados Unidos. As previsões de chuvas abrangentes no Meio-Oeste norte-americano são vistas como um fator positivo para o desenvolvimento da safra, especialmente durante a fase crítica de polinização.
No Brasil, o cenário é diferente. A comercialização do milho está lenta, com o atraso na colheita da segunda safra contribuindo para a sustentação dos preços. A disputa entre a demanda interna e as exportações também influencia o mercado, apesar da baixa liquidez em várias regiões produtoras.
Clima nos Estados Unidos pressiona contratos do milho em Chicago
Por volta das 9h26 (horário de Brasília), os principais contratos futuros de milho apresentavam leves quedas:
- Setembro/2026: US$ 4,43 por bushel (-2 pontos);
- Dezembro/2026: US$ 4,66 (-2 pontos);
- Março/2027: US$ 4,82 (-2,50 pontos);
- Maio/2027: US$ 4,90 (-2,75 pontos).
Analistas destacam que as previsões meteorológicas reduziram o prêmio climático que havia sido incorporado às cotações nos últimos dias. A expectativa de chuvas generalizadas no cinturão produtor dos EUA é vista como um fator que pode melhorar o potencial produtivo do milho.
Além disso, a fraqueza no mercado do trigo também tem contribuído para a pressão sobre os contratos futuros do milho, refletindo um cenário de incertezas no setor agrícola.
Mercado brasileiro encontra suporte no atraso da colheita
No Brasil, a lentidão na colheita da segunda safra está reduzindo a disponibilidade imediata do cereal. Isso ajuda a equilibrar a oferta com a demanda interna e as exportações, conforme análise da TF Agroeconômica.
Na B3, os contratos futuros encerraram o pregão anterior com pequenas oscilações, com destaque para:
- Setembro/2026: R$ 69,78 por saca (-R$ 0,23 no dia e -R$ 0,97 na semana);
- Novembro/2026: R$ 74,64 (-R$ 0,24 no dia e -R$ 0,11 na semana);
- Janeiro/2027: R$ 77,75 (-R$ 0,19 no dia, mas alta semanal de R$ 0,35).
Os operadores permanecem cautelosos em relação à evolução da colheita e ao fluxo de exportações nos próximos meses, o que pode impactar as cotações.
Comercialização segue lenta nas principais regiões produtoras
No Rio Grande do Sul, as negociações estão pontuais, com preços variando entre R$ 58 e R$ 63 por saca. A média estadual ficou em R$ 58,94, apresentando uma leve retração de 0,17%.
Em Santa Catarina, o mercado está travado devido à diferença entre as expectativas de preços dos produtores e as ofertas da indústria. Enquanto os produtores pedem cerca de R$ 60 por saca, a indústria oferece valores próximos de R$ 55, o que limita a liquidez.
No Paraná, a comercialização avança lentamente, com a colheita alcançando aproximadamente 40% da área cultivada. O Departamento de Economia Rural (Deral) revisou a projeção da segunda safra de milho de 17,60 milhões para 17,05 milhões de toneladas, refletindo os impactos das chuvas e do calendário tardio.
Em Mato Grosso do Sul, as negociações ocorrem entre R$ 48,00 e R$ 50,05 por saca. A demanda da indústria de bioenergia tem absorvido parte do volume disponível, ajudando a reduzir a pressão sobre os preços.
Mercado acompanha clima nos EUA e avanço da safrinha brasileira
O mercado do milho encerra a semana dividido entre fatores que influenciam os preços. No cenário internacional, o clima favorável nos Estados Unidos aumenta as expectativas de uma safra cheia, pressionando os contratos em Chicago. No Brasil, o atraso na colheita da safrinha e a demanda consistente da indústria limitam movimentos mais intensos de queda.
Nos próximos dias, investidores devem monitorar de perto as condições climáticas no Meio-Oeste dos EUA, o ritmo da colheita brasileira e a demanda internacional, que continuam a determinar a direção das cotações do milho no mercado global.











