Previa: Jacob Paa Joe, artista ganense, traz ao Brasil a tradição dos caixões-fantasia, que transformam o luto em celebração da vida. Suas obras, inspiradas nas paixões dos falecidos, conquistaram as redes sociais e o mundo da arte.
Durante a pandemia, um vídeo que mostrava homens dançando com um caixão se tornou um dos memes mais populares da internet. Gravada em Gana, essa cena ilustra a relação única do país com o luto e a celebração da vida. Os caixões-fantasia, que podem ter formatos de peixes, tênis e até amplificadores de som, são uma extensão dessa tradição, refletindo as paixões e conquistas dos que partiram.
Jacob Paa Joe, um dos principais artistas dessa prática, explica que os caixões são criados em colaboração com a família do falecido. “Temos uma relação diferente com o luto em Gana”, afirma o escultor. A ideia é que cada peça represente a trajetória da pessoa homenageada, transformando o funeral em uma celebração de suas paixões e conquistas.
Tradição e Arte
A tradição dos caixões-fantasia remonta à década de 1950, mas foi seu pai, Joseph Paa Joe, quem trouxe essa prática para o cenário internacional. Ele participou da exposição Magiciens de la Terre, no Centre Pompidou, em Paris, em 1989, o que ajudou a consolidar a arte ganense no mundo. Jacob cresceu em meio a essa tradição, aprendendo o ofício na oficina da família e sendo reconhecido como mestre escultor em 2016.
Hoje, Jacob vive nos Estados Unidos e apresenta suas obras em exposições e residências artísticas. Ele observa que, além de serem utilizadas como caixões, muitas pessoas encomendam suas peças apenas como obras de arte. “Hoje, muita gente encomenda essas peças apenas como obras de arte, sem que elas sejam usadas como caixões”, destaca.
Os caixões-fantasia, esculpidos principalmente em madeira, podem levar até oito semanas para serem concluídos, dependendo da complexidade do design. Essa dedicação e o significado por trás de cada peça tornam o trabalho de Jacob Paa Joe não apenas uma forma de arte, mas uma maneira de honrar a vida e a memória dos que partiram.











