Previa: Uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Embrapa e da UFSCar promete revolucionar o uso de bioinsumos no agronegócio. A inovação combina fertilizantes minerais com fungos benéficos, aumentando a eficiência e a sustentabilidade na agricultura.
Pesquisadores da Embrapa Instrumentação, em São Paulo, e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) criaram uma tecnologia que pode transformar o uso de bioinsumos no agronegócio brasileiro. A inovação consiste na combinação de fertilizantes minerais com o fungo benéfico Trichoderma harzianum, utilizando um revestimento biodegradável que protege o microrganismo durante o armazenamento e a aplicação no solo.
O Trichoderma harzianum é amplamente reconhecido por suas propriedades como agente de controle biológico e estimulador do crescimento vegetal. No entanto, sua eficácia é frequentemente comprometida quando exposto a fertilizantes químicos, que podem prejudicar sua viabilidade. A nova formulação busca superar esse desafio, garantindo a sobrevivência do fungo em condições adversas.
Barreira biodegradável protege fungo contra fertilizantes químicos
Os fertilizantes químicos, como ureia e fosfato monoamônico (MAP), podem causar estresse osmótico e alterações de pH que afetam negativamente os microrganismos. A equipe de pesquisa desenvolveu uma matriz de carboximetilcelulose (CMC) reforçada com nanocristais de celulose (CNC), criando um “escudo microscópico” que envolve os esporos do fungo. Essa estrutura não apenas protege o microrganismo, mas também permite sua liberação gradual no solo.
Os testes realizados mostraram que os esporos encapsulados mantiveram uma alta taxa de sobrevivência após três meses em temperatura ambiente, enquanto os microrganismos não protegidos perderam até mil vezes sua vitalidade. Além disso, os grânulos de MAP revestidos com a matriz polimérica demonstraram crescimento fúngico consistente mesmo após 30 dias de armazenamento.
Tecnologia aumenta eficiência e sustentabilidade no campo
Além de proteger o fungo, o revestimento desenvolvido também influencia a liberação dos nutrientes do fertilizante. Essa camada biodegradável permite uma liberação mais lenta e controlada de fósforo e nitrogênio, mantendo os nutrientes disponíveis por mais tempo para as plantas. Essa abordagem pode reduzir a necessidade de reaplicações, diminuindo custos operacionais e minimizando os impactos ambientais relacionados às perdas de nutrientes.
Os benefícios potenciais incluem maior eficiência no uso de fertilizantes, redução de desperdícios, menor risco de contaminação ambiental e maior aproveitamento dos nutrientes pelas plantas. A permanência prolongada do fungo na rizosfera também permite que ele colonize o ambiente antes da chegada de agentes patogênicos, funcionando como uma barreira biológica natural.
Inovação une bioinsumos e agricultura de precisão
A integração entre fertilizantes minerais e microrganismos benéficos é uma tendência crescente no agronegócio, impulsionada pela busca por maior produtividade com menor dependência de insumos químicos. A coordenadora do estudo, Cristiane Sanchez Farinas, destaca que a tecnologia combina eficiência agrícola com princípios da bioeconomia, utilizando materiais de baixo custo e amplamente disponíveis.
Embora os resultados laboratoriais sejam promissores, os pesquisadores reconhecem que os próximos passos envolvem a validação em campo e a transformação da tecnologia em um produto comercial. O estudo foi apresentado durante o 20º Congresso Europeu de Biotecnologia, na Bélgica, e recebeu apoio de diversas instituições de pesquisa.
A nova tecnologia desenvolvida pela Embrapa e UFSCar representa um avanço significativo na utilização de bioinsumos, oferecendo uma alternativa sustentável e eficiente para a agricultura moderna. Com a proteção de microrganismos sensíveis e a possibilidade de aplicação conjunta com fertilizantes minerais, essa inovação abre caminho para uma nova geração de produtos agrícolas, promovendo a nutrição vegetal e o controle biológico de forma integrada.











