Previa: O mercado de trigo no Brasil enfrenta um cenário de lentidão nas negociações, especialmente na Região Sul, enquanto o mercado internacional observa queda nas cotações devido à melhora climática nos Estados Unidos.
O mercado brasileiro de trigo encerra a semana com um ritmo de negociações lento, especialmente na Região Sul. Essa situação é reflexo da demanda enfraquecida por farinha, dos estoques confortáveis da indústria e da cautela dos produtores em relação às incertezas climáticas que cercam a nova safra. No cenário internacional, as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT) também recuaram, influenciadas pela realização de lucros e pela melhora das condições climáticas nas áreas produtoras dos Estados Unidos.
Desafios no mercado interno
De acordo com a TF Agroeconômica, a baixa demanda por farinha tem limitado os negócios no Brasil. Com vendas abaixo do esperado, muitos moinhos optaram por reduzir o ritmo de moagem, prolongando seus estoques e diminuindo a necessidade de novas aquisições de trigo. O resultado é um mercado com pouca liquidez, onde as negociações ocorrem de forma pontual, com compradores atuando apenas para reposições específicas.
No Rio Grande do Sul, os moinhos estão bem abastecidos, o que reduz o interesse por novas compras. Além disso, a indústria enfrenta problemas de qualidade no trigo remanescente da safra anterior, principalmente devido à elevada incidência de DON (deoxinivalenol), uma micotoxina que compromete o aproveitamento industrial do cereal. O trigo importado da Argentina, por sua vez, teve valorização, com o preço FOB subindo de US$ 230 para US$ 240 por tonelada.
Movimentação em Santa Catarina e Paraná
Em Santa Catarina, a oferta de trigo produzido no estado praticamente se esgotou nas principais regiões produtoras. O último negócio registrado foi a R$ 1.350 por tonelada FOB, enquanto o trigo gaúcho foi ofertado entre R$ 1.340 e R$ 1.400 por tonelada. Apesar de reajustes de aproximadamente 5% nos preços da farinha, o segmento ainda apresenta baixa liquidez.
No Paraná, a movimentação do mercado também é reduzida. A valorização do trigo argentino impactou os preços da farinha importada, que subiram em média US$ 10 por tonelada. Os negócios para trigo disponível foram registrados em torno de R$ 1.450 por tonelada CIF na região de Curitiba, enquanto as indicações para a nova safra variam entre R$ 1.400 e R$ 1.420 por tonelada. Os produtores permanecem cautelosos, preocupados com a influência do fenômeno El Niño sobre o desenvolvimento das lavouras.
Impactos do mercado internacional
No mercado internacional, os contratos futuros do trigo na Bolsa de Chicago encerraram a quinta-feira em queda. Esse movimento foi impulsionado pela realização de lucros dos investidores, após uma forte valorização que levou as cotações a seus maiores níveis em quase dois anos. A melhora das previsões climáticas para os Estados Unidos, com expectativa de chuvas em regiões produtoras, também contribuiu para a pressão sobre os preços.
Apesar da correção técnica, o cenário internacional continua sendo monitorado de perto pelos agentes do mercado. O conflito entre Rússia e Ucrânia ainda gera incertezas sobre o fluxo das exportações pelo Mar Negro, e restrições temporárias nas operações do porto russo de Novorossiysk mantêm o mercado atento a possíveis impactos sobre a oferta global de trigo.
A expectativa é que o mercado brasileiro de trigo continue operando com baixa liquidez nas próximas semanas. A combinação de estoques elevados, demanda moderada da indústria e incertezas climáticas mantém compradores e vendedores em posições cautelosas. No cenário internacional, a evolução das condições climáticas nos Estados Unidos e os desdobramentos do conflito no Mar Negro seguirão sendo fatores cruciais para a direção dos preços do trigo nos mercados global e brasileiro.











