Previa: O preço da soja no Brasil atinge novos patamares, impulsionado por fatores climáticos nos EUA e pela alta do petróleo. No Porto de Rio Grande, a saca chegou a R$ 160, refletindo a forte demanda internacional e a volatilidade do mercado.
A combinação de riscos climáticos nos Estados Unidos e a valorização do petróleo têm gerado um impacto significativo no mercado da soja. As cotações na Bolsa de Chicago (CBOT) atingiram máximas recentes, refletindo diretamente nos preços pagos aos produtores brasileiros. No Porto de Rio Grande, a saca da oleaginosa chegou a R$ 160, um dos maiores valores registrados nos últimos tempos.
Esse movimento ocorre em um cenário de volatilidade internacional, marcado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia. Além disso, as incertezas climáticas estão presentes em um momento crucial para o desenvolvimento da safra norte-americana.
Valorização em Chicago e seus efeitos no Brasil
A Bolsa de Chicago registrou uma sequência de valorização, com os contratos mais negociados superando a marca de US$ 12,40 por bushel. O vencimento de novembro, que é referência para a nova safra dos EUA, também avançou, testando a região de US$ 12,49 por bushel. Este aumento é sustentado por preocupações com o clima quente e seco em partes do Meio-Oeste americano, a valorização do petróleo e o reposicionamento de fundos de investimento.
Embora chuvas tenham beneficiado algumas regiões produtoras, as previsões ainda indicam temperaturas elevadas durante o enchimento dos grãos, um período crítico para a produtividade da safra. Essa situação mantém os investidores atentos às condições climáticas nos EUA.
O mercado de energia também tem influenciado as cotações. O petróleo Brent, por exemplo, valorizou cerca de 19,4% em 22 dias, o que impulsionou o preço do óleo de soja em Chicago, que avançou mais de 13% no mesmo período. As tensões entre Irã e Estados Unidos e os riscos de interrupção no transporte marítimo no Estreito de Ormuz são fatores que contribuíram para essa alta.
Impacto no mercado brasileiro e nas exportações
No Brasil, a valorização em Chicago, somada ao dólar e à firme demanda exportadora, sustentou os preços em diversas regiões produtoras. No Rio Grande do Sul, a retenção da soja pelos produtores diminuiu a oferta disponível, elevando as negociações. Os preços variaram entre R$ 116 e R$ 127 por saca em várias partes do país, com destaque para os R$ 160 no Porto de Rio Grande.
As exportações também estão no foco do mercado. Embora as vendas externas dos EUA tenham recuado, os compromissos para a safra 2026/27 atingiram 1,54 milhão de toneladas, com mais de um milhão destinadas à China. A expectativa é que novos anúncios de vendas possam reforçar a alta em Chicago.
A China, por sua vez, continua ampliando as importações da soja brasileira, mas sinaliza planos para reduzir sua dependência das importações nos próximos anos. Apesar disso, os números atuais favorecem o Brasil, com um crescimento de 13,7% nas compras de soja brasileira em junho, alcançando um recorde histórico para o mês.
Com o mercado operando em níveis elevados e uma forte demanda internacional, os produtores encontram um momento favorável para a comercialização. No entanto, especialistas alertam que o clima nos EUA continuará a ser um fator determinante para os preços nas próximas semanas. A recomendação é que os produtores avaliem oportunidades de comercialização escalonada para garantir margens em um ambiente de alta volatilidade.











