Prévia: O mercado de trigo apresenta um cenário contraditório, com preços internacionais em alta devido a tensões geopolíticas, enquanto o Brasil enfrenta dificuldades na comercialização, com estoques elevados e demanda fraca.
Atualmente, o setor de trigo vive um momento de contrastes. Enquanto as cotações internacionais estão em ascensão, impulsionadas por tensões no Mar Negro e uma possível redução na oferta global, o mercado interno brasileiro continua com baixa liquidez. No Sul do país, os moinhos estão abastecidos, mas as vendas de farinha são lentas, o que gera cautela entre os compradores.
Esse descompasso entre os mercados externo e interno é evidente. Na Bolsa de Chicago, os preços do trigo têm apresentado ganhos significativos, refletindo preocupações com as exportações globais. Em contrapartida, no Brasil, a comercialização é limitada devido a estoques altos e uma demanda que não acompanha a oferta.
Mercado brasileiro de trigo continua travado no Sul
De acordo com a TF Agroeconômica, a atividade comercial nos principais estados produtores permanece estagnada. Os moinhos operam com estoques confortáveis, enquanto o consumo de farinha está abaixo do esperado, resultando em uma diminuição na moagem e na necessidade de novas aquisições.
Além disso, o aumento dos preços do trigo importado da Argentina tem dificultado a competitividade das compras externas. No Rio Grande do Sul, a situação é semelhante, com os moinhos abastecidos e vendas de farinha lentas, o que prolonga os estoques e reduz a necessidade de novas compras.
Recentemente, o preço do trigo argentino subiu, passando de US$ 230 para US$ 240 por tonelada, o que impacta diretamente as negociações. No estado, a qualidade do trigo remanescente também é uma preocupação, com relatos de altos índices de DON, uma micotoxina que compromete a qualidade industrial do cereal.
Santa Catarina e Paraná enfrentam desafios semelhantes
Em Santa Catarina, a oferta de trigo produzido localmente está praticamente esgotada, com o último negócio registrado a R$ 1.350 por tonelada FOB. A retração nas vendas de farinha levou muitos moinhos a reduzir a moagem e aumentar seus estoques.
No Paraná, o mercado também apresenta lentidão. Apesar de o trigo argentino poder se tornar mais competitivo, a recente alta nos preços de importação tem elevado os custos. Os preços do trigo disponível em Curitiba estão em torno de R$ 1.450 por tonelada, com referências para a nova safra variando entre R$ 1.400 e R$ 1.420.
Chicago dispara com ataques no Mar Negro
Enquanto o mercado brasileiro enfrenta dificuldades, o cenário internacional se alterou rapidamente. Na quarta-feira (22), os contratos futuros de trigo na Bolsa de Chicago fecharam com uma valorização superior a 4%, impulsionados por novos ataques à infraestrutura portuária na região de Odessa, aumentando os receios sobre a continuidade das exportações pelo Mar Negro.
Os contratos para setembro fecharam a US$ 7,05¾ por bushel, refletindo uma alta de 4,09%. Na abertura do dia seguinte, as cotações mantiveram um viés positivo, com preços em torno de US$ 7,07 por bushel.
Perspectivas para o mercado de trigo
O mercado internacional continua atento aos riscos geopolíticos e às condições climáticas nos principais países produtores. Caso novas restrições às exportações ou cortes nas estimativas de produção global ocorram, as cotações internacionais podem se manter em alta.
No Brasil, o comportamento do mercado dependerá da evolução das vendas de farinha, da reposição de estoques pelos moinhos e do desenvolvimento da nova safra. Enquanto esses fatores não se alterarem, a expectativa é de manutenção da baixa liquidez, mesmo com a valorização do trigo no cenário internacional.











