Previa: O mercado de milho apresenta uma valorização significativa, impulsionada por exportações aquecidas e preocupações climáticas nos Estados Unidos. A combinação de fatores promete manter os preços firmes no curto prazo.
O cenário atual do milho no Brasil e no exterior é marcado por uma valorização expressiva, com os preços se elevando tanto na Bolsa Brasileira (B3) quanto na Bolsa de Chicago (CBOT). O aumento das exportações brasileiras, a demanda crescente da indústria de etanol nos EUA e as incertezas climáticas nas principais regiões produtoras estão entre os fatores que sustentam essa alta.
Os contratos futuros na B3 superaram a marca de R$ 70,00 por saca, enquanto em Chicago, os preços subiram mais de 2%. Essa movimentação reflete uma expectativa de maior demanda e incertezas sobre a oferta global do cereal.
Exportações brasileiras fortalecem o mercado do milho
A comercialização do milho no Brasil tem se mostrado promissora, especialmente com o aumento das oportunidades de exportação. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) estima que o Brasil deve embarcar 3,70 milhões de toneladas de milho em julho, um crescimento de 7,6% em relação à projeção anterior.
Esse aumento nas exportações ajuda a aliviar a pressão sobre a oferta da segunda safra e cria um ambiente favorável para a formação de preços, permitindo que os produtores aproveitem momentos vantajosos para a fixação de contratos.
Além disso, a necessidade de liberar espaço nos armazéns durante a colheita está estimulando negociações em várias regiões do país.
B3 mantém tendência positiva
Os contratos futuros do milho na B3 encerraram a quarta-feira em alta e continuaram a apresentar valorização na quinta-feira. O contrato para setembro de 2026 fechou a R$ 70,11 por saca, com um ganho acumulado de R$ 1,95 na semana.
Os demais vencimentos também mostraram desempenho positivo, com valores como R$ 74,10 para novembro de 2026 e R$ 76,58 para janeiro de 2027. Na abertura da quinta-feira, os contratos seguiram sustentados, com setembro sendo negociado próximo de R$ 70,26.
Mercado físico segue com liquidez limitada
Apesar da alta nos contratos futuros, o mercado físico apresenta um ritmo moderado de negociações em diversas regiões. No Rio Grande do Sul, a oferta restrita resulta em baixa liquidez, com preços variando entre R$ 57,00 e R$ 65,00 por saca.
Em Santa Catarina, as negociações estão travadas devido a um desencontro entre compradores e vendedores, enquanto no Paraná, o clima seco favoreceu a colheita, que já alcança 29% da área cultivada, mas a comercialização ainda é pontual.
Clima nos EUA impulsiona Chicago
Na Bolsa de Chicago, a valorização dos contratos futuros é impulsionada por preocupações com o clima quente e seco em regiões produtoras dos Estados Unidos. Modelos meteorológicos indicam uma redução das chuvas nas próximas semanas, o que pode afetar o desenvolvimento das lavouras.
Analistas apontam que entre 15% e 20% da região produtora norte-americana pode enfrentar estresse hídrico, elevando o prêmio de risco nos contratos futuros. Os principais vencimentos encerraram em alta, com setembro de 2026 a US$ 4,62 por bushel.
Demanda por etanol reforça valorização
A demanda por etanol nos Estados Unidos também tem contribuído para a valorização do milho. A produção semanal de etanol aumentou 5,19%, alcançando 1,094 milhão de barris por dia, enquanto as exportações praticamente dobraram na última semana.
Esse aumento no consumo interno de milho reduz a disponibilidade do cereal e favorece novas altas nas cotações internacionais.
Perspectiva para o mercado
A combinação de exportações brasileiras aquecidas, a demanda crescente por etanol nos EUA e as incertezas climáticas no Hemisfério Norte mantém o mercado do milho sustentado. Embora a colheita da segunda safra adicione oferta ao mercado brasileiro, a demanda externa consistente e a valorização dos contratos futuros indicam um cenário de firmeza nos preços nas próximas semanas.











