Previa: O Brasil mantém uma robusta programação de exportação de açúcar, mas os números de julho mostram uma queda significativa em relação ao ano anterior. Apesar do line-up promissor, o mercado internacional apresenta desafios que impactam os embarques e a receita do setor.
O setor sucroenergético brasileiro continua a se preparar para uma intensa programação logística de exportação de açúcar. Contudo, os dados de julho revelam um desempenho abaixo do esperado em comparação ao mesmo período do ano passado. Com mais de 2,17 milhões de toneladas programadas para exportação, a realidade dos embarques efetivos ainda não corresponde a esse potencial, refletindo um mercado internacional mais cauteloso.
Line-up registra mais de 2,1 milhões de toneladas programadas
Na semana encerrada em 15 de julho, 51 navios estavam prontos para embarcar açúcar nos portos brasileiros, um aumento em relação à semana anterior. A programação logística inclui 2,176 milhões de toneladas, abrangendo embarcações já atracadas, fundeadas e aquelas com chegada prevista até 25 de agosto.
O Porto de Santos (SP) se destaca como o principal ponto de exportação, com aproximadamente 1,67 milhão de toneladas, representando cerca de 77% do volume total programado. Outros portos importantes incluem o Porto de Paranaguá (PR), com 470,4 mil toneladas, e o Porto de Maceió (AL), com 37 mil toneladas.
Açúcar VHP domina os embarques
A maior parte da carga programada é composta por açúcar VHP (Very High Polarization), que é amplamente utilizado como matéria-prima para refino em diversos países. O line-up é detalhado da seguinte forma: 1,937 milhão de toneladas de açúcar VHP, 175,3 mil toneladas de açúcar TBC, 37 mil toneladas de açúcar Cristal B-150 e 26 mil toneladas de açúcar VHP ensacado.
Esse volume expressivo reforça a capacidade logística dos portos brasileiros, que estão preparados para atender à demanda internacional durante o pico da safra do Centro-Sul.
Exportações de julho somam 912 mil toneladas
Apesar da programação robusta, os embarques realizados até agora indicam um ritmo inferior ao registrado em julho de 2025. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 912.057 toneladas de açúcar e melaços nos primeiros dias úteis de julho, gerando uma receita de US$ 336,6 milhões.
A média diária de exportação foi de 114,0 mil toneladas, com uma receita cambial média de US$ 42,1 milhões. O preço médio das exportações caiu para US$ 369,10 por tonelada, refletindo um cenário de maior oferta global e preços pressionados no mercado internacional.
Receita, volume e preços recuam frente a 2025
Os números de julho mostram uma queda em todos os principais indicadores em comparação ao ano anterior. A receita média diária caiu 34,3%, passando de US$ 64,08 milhões em julho de 2025 para US$ 42,08 milhões neste mês. O volume médio diário embarcado também recuou 26,9%, de 156,05 mil toneladas para 114,0 mil toneladas.
Além disso, o preço médio do açúcar exportado apresentou uma queda de 10,1%, passando de US$ 410,70 por tonelada para US$ 369,10 por tonelada, evidenciando a pressão sobre os preços internacionais.
Perspectivas para o mercado
Embora os dados parciais de julho indiquem uma redução nas exportações em relação ao ano anterior, o elevado volume previsto no line-up sugere que os embarques podem se intensificar nas próximas semanas. A moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul e a disponibilidade de produto para exportação devem ajudar a manter o Brasil como o principal fornecedor mundial de açúcar.
Entretanto, o comportamento dos preços internacionais, as flutuações cambiais e a demanda dos principais importadores serão fatores cruciais para o desempenho das exportações ao longo da safra 2026/27. Com mais de 2,1 milhões de toneladas programadas, o setor permanece atento às condições do mercado internacional e à logística portuária, buscando recuperar o ritmo das exportações nos próximos meses.











