Previa: A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que permite o uso de cocares e turbantes em documentos oficiais, garantindo a expressão cultural e religiosa de indivíduos de comunidades tradicionais. A proposta agora segue para o Senado.
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (15/7), uma importante mudança nas regras para documentos oficiais. O projeto de lei permite que cocares indígenas, turbantes de povos de matriz africana e outros elementos culturais ou religiosos sejam utilizados em fotografias de documentos como carteira de identidade, Carteira Nacional de Habilitação (CNH), passaporte e Carteira de Trabalho e Previdência Social.
A nova legislação assegura que indígenas e membros de comunidades tradicionais não serão obrigados a remover esses acessórios que representam sua identidade cultural durante a captura de fotos para documentos. A única condição é que os itens não obstruam a identificação facial da pessoa.
Contexto e Repercussão
No parecer apresentado, Sônia Guajajara destacou que cocares e turbantes são muito mais do que meros acessórios; eles são parte essencial da identidade de povos tradicionais. Para a relatora, o cocar indígena simboliza a conexão com a natureza e a espiritualidade, além de representar um elo com os antepassados.
Um exemplo citado pela relatora ilustra a necessidade dessa mudança: uma estilista adepta do candomblé foi obrigada a retirar seu turbante ao solicitar a segunda via da carteira de habilitação no Rio de Janeiro. A situação gerou indignação, pois a mulher foi informada de que poderia manter o turbante apenas se apresentasse um atestado médico ou uma autorização de sua mãe de santo.
Com a aprovação do projeto, as regras relacionadas às carteiras de identidade, de motorista e de trabalho agora deixam claro que a fotografia pode incluir elementos que representem a cultura ou religião do indivíduo, desde que o rosto permaneça visível para identificação.
A proposta segue agora para análise do Senado, onde poderá passar por novas discussões e ajustes antes de se tornar lei. A expectativa é que essa mudança contribua para a promoção da diversidade e do respeito às tradições culturais no Brasil.











