Previa: Valdemar Costa Neto, presidente do PL, reconheceu que sugere emendas a deputados, afirmando que a prática é comum na política. Ele nega irregularidades e diz atuar como intermediário de prefeitos em busca de recursos.
No último sábado (11), Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, admitiu que sugere a parlamentares o direcionamento de recursos por meio de emendas. A declaração ocorre em meio a uma investigação da Polícia Federal sobre supostas irregularidades na destinação de verbas públicas. Valdemar defendeu que sua atuação é apenas uma intermediação de pedidos feitos por prefeitos em busca de recursos para seus municípios.
A investigação da PF resultou em uma ordem do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que bloqueou mais de R$ 119 milhões em bens de Valdemar e suspendeu a execução de 21 emendas parlamentares que, segundo as apurações, teriam sido direcionadas por ele. A prática, segundo o dirigente, é “normal” e faz parte do funcionamento político.
Funcionamento das Emendas Parlamentares
De acordo com a Polícia Federal, Valdemar operava uma estrutura informal na Câmara dos Deputados, permitindo que ele indicasse o destino de emendas mesmo sem ocupar um cargo eletivo. A investigação sugere que ele utilizava servidores da Casa para facilitar a destinação dos recursos.
Em entrevista à CNN Brasil, Valdemar negou qualquer irregularidade e reiterou que apenas encaminha solicitações de prefeitos aos deputados. “Nós sugerimos que possa doar para esses municípios. É nisso que eu entro. Isso é só política”, afirmou. Ele destacou que os pedidos são atendidos tanto por emendas individuais de deputados do partido quanto por emendas de comissão sob sua liderança.
O presidente do PL também negou que haja pressão sobre os deputados para que cedam parte de suas emendas à direção do partido. “Não, não [teve pressão]. Tem gente que não consegue doar, mas tem alguns que podem doar e deixam com os líderes”, explicou, reforçando que sua função é organizar as demandas apresentadas pelos prefeitos.
Valdemar exemplificou sua atuação ao mencionar que já solicitou recursos para o Hospital do Câncer de Barretos, em São Paulo. Ele enfatizou que a prática de sugerir emendas é comum e parte do cotidiano político. “Pedi, e os deputados me atendem. É uma prática normal, é política”, declarou.
O dirigente também recordou um acordo que mantinha com o deputado federal Tiririca, que, segundo ele, deixava parte de suas emendas para atender demandas indicadas pela direção do PL. “Tiririca não tem voto de prefeito. Pegava as emendas dele e sugeria que ele desse”, afirmou.
Valdemar concluiu que todas as indicações feitas por ele são “sérias” e atendem a critérios técnicos, garantindo que as solicitações estão sendo executadas. “Só coisas sérias. Todas estão sendo executadas. [Isso] sempre foi feito”, finalizou.











