Previa: A rápida expansão dos data centers para inteligência artificial nas Américas enfrenta desafios significativos devido à infraestrutura elétrica insuficiente, segundo um estudo da Wärtsilä. A discrepância entre a construção dessas instalações e a capacidade de fornecimento de energia pode comprometer o futuro da tecnologia na região.
A crescente demanda por data centers dedicados à inteligência artificial está pressionando a infraestrutura elétrica nas Américas. Um estudo realizado pela Wärtsilä, fornecedora de sistemas de energia, destaca a preocupação com a capacidade de fornecimento de energia em relação ao aumento acelerado dessas instalações.
O fenômeno, descrito como “speed to powerless”, resulta em filas para conexão à rede elétrica, limitações na transmissão de energia e atrasos em processos de licenciamento. Esses fatores podem comprometer a viabilidade de novos projetos de data centers, essenciais para o avanço da IA.
Desafios no Brasil e na América Latina
O estudo “Beyond the Grid: Building the Power System for AI in the Americas” analisa a infraestrutura energética em países como Estados Unidos, Brasil, México, Chile e Argentina. No Brasil, a projeção de consumo dos data centers conectados à rede de transmissão até 2030 foi revisada em 60%, passando de 18,9 TWh para 30,3 TWh por ano.
Essa revisão, ocorrida apenas três meses após a divulgação do Planejamento Anual da Operação Energética, evidencia como a demanda do mercado está superando as previsões de forma alarmante. Risto Paldanius, vice-presidente da Wärtsilä nas Américas, enfatiza que a velocidade da construção de data centers é extraordinária, mas o fornecimento de energia não está acompanhando esse ritmo.
As filas de interconexão estão se estendendo por anos, e a capacidade de transmissão está se saturando nas regiões onde os data centers estão se concentrando. Paldanius alerta que o crescimento do mercado pode ser mais rápido do que a capacidade de abastecimento confiável, o que pode levar a sérias restrições no futuro.
Além disso, a análise da Wärtsilä revela que a expansão planejada da transmissão no Brasil pode demorar anos para atender à demanda dos data centers. O regime tributário Redata, atualmente em análise no Senado, também influencia a seleção de tecnologias e pode complicar ainda mais a situação.
Para mitigar esses desafios, a Wärtsilä sugere que os data centers sejam planejados como infraestrutura de longo prazo. Isso implica integrar a expansão da capacidade energética desde o início dos projetos, o que pode acelerar a operação das instalações e aumentar a confiabilidade do fornecimento de energia, sustentando assim o crescimento da inteligência artificial na região.











