Previa: O Instituto Agronômico (IAC) comemora 139 anos com o lançamento de uma cultivar de feijão gourmet que promete revolucionar o mercado, destacando-se pela alta produtividade e resistência ao escurecimento dos grãos.
O Instituto Agronômico (IAC), uma das principais instituições de pesquisa agropecuária do Brasil, celebrou seus 139 anos em uma cerimônia realizada em Campinas (SP). Durante o evento, o instituto apresentou importantes avanços científicos que reforçam sua contribuição para o agronegócio nacional.
Um dos principais destaques foi o lançamento da cultivar de feijão gourmet IAC 2662 Borlotti, que se destaca por sua alta produtividade e pela capacidade de manter a coloração original dos grãos por até seis meses. Essa característica é especialmente valorizada no comércio internacional, pois preserva a aparência e a qualidade do produto durante o armazenamento e transporte.
Oportunidades de exportação com o feijão gourmet
A nova cultivar representa um avanço significativo no programa de melhoramento genético do feijão do IAC. A capacidade de manter a coloração dos grãos reduz um dos principais desafios enfrentados pelos exportadores brasileiros, especialmente nas exportações para a Europa, onde a aparência comercial é crucial.
De acordo com Alisson Chiorato, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da cultivar, essa inovação proporciona maior segurança para produtores e exportadores, permitindo que o produto chegue ao mercado internacional com a mesma qualidade com que saiu do Brasil.
O feijão tipo cranberry (Borlotti) é amplamente consumido na Europa, especialmente na culinária italiana. Com o lançamento da nova cultivar, o IAC busca fortalecer tanto o mercado externo quanto ampliar a oferta de feijões gourmet no Brasil, um segmento em crescimento que busca produtos diferenciados.
Características da nova cultivar
Além da resistência ao escurecimento, o IAC 2662 Borlotti apresenta características agronômicas competitivas, como um potencial produtivo de até 3.500 kg por hectare e um teor médio de proteína de aproximadamente 22%. Os grãos são graúdos, arredondados e possuem um ciclo precoce, permitindo a colheita entre 75 e 80 dias após o plantio.
A cultivar poderá ser cultivada em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, e está em fase final de registro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária, com previsão de disponibilidade comercial até o final de 2026.
O IAC também destacou que a nova cultivar é resultado de um contínuo programa de melhoramento genético, que visa incorporar ganhos em produtividade, resistência a doenças e adaptação a diferentes regiões produtoras, ampliando as alternativas de renda para os agricultores.
Resultados e inovações do IAC
Com 139 anos de história, o IAC já desenvolveu 1.205 cultivares de 112 espécies vegetais, contribuindo significativamente para a agricultura brasileira. O instituto também se destaca na transferência de sementes, com o feijão liderando as vendas, representando 62,3% do volume comercializado entre janeiro e maio de 2026.
Além do lançamento da nova cultivar, o IAC celebrou o 20º aniversário do Programa IAC-QUEPIA, que se tornou referência na avaliação de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) utilizados por trabalhadores rurais, e a Rede Social do Café, que completou duas décadas de integração entre pesquisadores e produtores.
Essas iniciativas demonstram que a pesquisa e a inovação continuam sendo pilares fundamentais para elevar a competitividade e a sustentabilidade do agronegócio brasileiro, garantindo que o país se mantenha na vanguarda da produção agrícola global.











