Prévia: O governo brasileiro pediu desculpas pelo desaparecimento de Paulo de Tarso Celestino da Silva, um ex-aluno da Universidade de Brasília, vítima da repressão durante a ditadura militar. O ato simbólico visa promover reparação às vítimas e à sociedade brasileira.
Na última terça-feira, 2 de julho de 2026, o governo federal emitiu um pedido público de desculpas pelo desaparecimento de Paulo de Tarso Celestino da Silva, que ocorreu há quase 45 anos. O ex-aluno de Direito da Universidade de Brasília (UnB) foi uma das vítimas da repressão da ditadura militar, desaparecendo aos 27 anos. O evento ocorreu na própria UnB, com a presença de familiares, ex-colegas e membros de comissões de direitos humanos.
O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania destacou que o pedido de desculpas é um ato simbólico que busca reparar não apenas a dor da família de Paulo de Tarso, mas também reconhecer as injustiças sofridas por toda a população brasileira durante o regime militar. Essa iniciativa é parte de um esforço contínuo para abordar as violações de direitos humanos que marcaram esse período sombrio da história do país.
Paulo de Tarso, natural de Morrinhos (GO), era filho de um deputado federal cassado pelo AI-5 e se destacou como militante da Ação Libertadora Nacional (ALN). Ele havia concluído seu curso de Direito em 1969 e, posteriormente, fez uma pós-graduação na Universidade de Sorbonne, na França. Seu desaparecimento, registrado em 12 de julho de 1971, ocorreu após sua captura por agentes do DOI-CODI no Rio de Janeiro.
O impacto das violações
Relatos de ex-presos políticos, como Inês Etienne Romeu, revelam detalhes sobre as torturas que Paulo de Tarso sofreu enquanto estava detido em um centro clandestino de tortura. Segundo Inês, ele foi submetido a sessões de tortura que duraram 48 horas, um testemunho que ilustra a brutalidade do regime militar e a necessidade de reconhecimento e reparação.
A Comissão da Verdade e a Comissão de Mortos e Desaparecidos têm trabalhado para esclarecer os desaparecimentos e execuções de presos políticos, apontando que muitos corpos eram esquartejados para dificultar a identificação. Esse contexto reforça a importância do pedido de desculpas como um passo em direção à verdade e à justiça.
A ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Janine Melo, fez o pedido de desculpas oficial, reconhecendo a responsabilidade do Estado pelas violações de direitos humanos. Ela enfatizou que o desaparecimento de Paulo de Tarso é um símbolo da violência do Estado e que a falta de respostas sobre seu destino impede a família de exercer plenamente seu direito ao luto.
A reitora da UnB, Rozana Naves, também abordou a importância da memória e da defesa da liberdade acadêmica. Ela ressaltou que a luta contra o autoritarismo e a promoção do pensamento crítico são fundamentais para a construção de uma sociedade democrática e justa.
O pedido de desculpas representa um momento significativo na luta por justiça e reconhecimento das vítimas da ditadura militar. A busca pela verdade e pela memória é essencial para que o Brasil possa avançar em sua reconciliação com o passado e fortalecer os direitos humanos no presente e no futuro.











