Previa: A expectativa de uma safra recorde de grãos no Brasil mantém os preços do frete agrícola elevados, mesmo após o pico de escoamento da soja. O cenário é impulsionado pela alta demanda por transporte e pelas exportações robustas.
A safra recorde de grãos no Brasil continua a impactar positivamente o setor de transporte agrícola. De acordo com o Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os valores dos fretes rodoviários se mantêm elevados, mesmo após o término do pico de escoamento da soja, que normalmente resulta em uma queda nos preços. Este fenômeno é atípico e reflete a dinâmica do mercado atual.
Produção de Soja e Demanda por Transporte
O aumento na produção de soja, que cresceu 8,8 milhões de toneladas em relação à safra anterior, é um dos principais fatores que sustentam a demanda por transporte. Thomé Guth, superintendente de Logística Operacional da Conab, destaca que a oferta recorde da oleaginosa alterou a expectativa de redução nos preços do frete, mantendo a necessidade de caminhões para o escoamento.
Em Mato Grosso, o maior produtor de grãos do país, as tarifas de frete apresentaram pequenas oscilações, mas continuam em patamares elevados. Essa estabilidade nos preços reflete o intenso fluxo logístico necessário para atender à demanda de escoamento da produção agrícola.
Pressão Logística em Diferentes Regiões
No Mato Grosso do Sul, a demanda por transporte se manteve firme, mesmo após o encerramento da safra de verão. A continuidade das exportações e o elevado volume de cargas contribuíram para a manutenção dos preços do frete. No Distrito Federal, a alta moderada dos valores foi influenciada pelo aumento do custo do óleo diesel e pela continuidade do transporte das safras de soja e milho.
Enquanto isso, no Maranhão, a Conab registrou um aumento nos preços do transporte devido ao avanço da colheita. A movimentação intensa de cargas em direção ao Porto do Itaqui elevou os custos logísticos em cerca de 1,2% entre abril e maio.
Desafios e Oportunidades no Setor de Transporte
O Paraná, por sua vez, viu os fretes apresentarem variações pontuais, mas ainda pressionados pelos altos custos operacionais, especialmente o preço do diesel. Em contrapartida, estados como Goiás e Bahia registraram uma desaceleração temporária na demanda por transporte, refletindo a conclusão da colheita da soja.
As exportações de milho e soja seguem em alta, com o Brasil embarcando 7,5 milhões de toneladas de milho entre janeiro e maio de 2026, superando o volume do ano anterior. O Arco Norte se destacou, respondendo por uma parte significativa das exportações, enquanto o Porto de Santos também se manteve relevante nesse cenário.
Por outro lado, as importações de fertilizantes apresentaram uma leve queda, gerando preocupações no mercado. O acompanhamento dos preços elevados e as incertezas geopolíticas são fatores que exigem atenção do setor agrícola, especialmente com a possibilidade de impactos climáticos no segundo semestre.
O Boletim Logístico da Conab não apenas analisa os fretes, mas também fornece informações cruciais sobre exportações, importações de insumos e a movimentação dos estoques públicos, sendo uma ferramenta essencial para o entendimento do cenário logístico no agronegócio brasileiro.











