Prévia: Estudantes da PUC-PR criam um retardante de chamas ecológico que promete revolucionar o combate a incêndios florestais. A iniciativa, que já conquistou prêmios nacionais, agora busca reconhecimento internacional.
Duas estudantes de biotecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) desenvolveram uma solução inovadora para combater incêndios florestais sem agredir o meio ambiente. O produto, chamado BIODEFENSER®, utiliza um composto natural que não apenas combate as chamas, mas também favorece a recuperação ambiental. As jovens conquistaram as etapas regional e nacional do Hult Prize 2026 e agora se preparam para representar o Brasil na fase internacional da competição.
O Hult Prize é reconhecido como a maior competição de empreendedorismo estudantil do mundo, desafiando universitários a criar startups que abordem problemas globais urgentes. A equipe vencedora receberá um investimento de US$ 1 milhão para lançar seu negócio, o que representa uma oportunidade significativa para as estudantes.
Sustentabilidade e Inovação
Mariah Fraulo Cavalcante e Taciane Beatriz Ferreira, as criadoras do BIODEFENSER®, têm um histórico de envolvimento com questões ambientais. Mariah, influenciada pelo trabalho de seu pai na detecção de incêndios, sempre se questionou sobre as soluções existentes e seus impactos negativos. Ao descobrir que os produtos químicos utilizados para combater incêndios prejudicam o meio ambiente, decidiu desenvolver uma alternativa sustentável.
O projeto começou a ganhar forma em 2024, durante o evento Health Innovation PUC-PR, e foi selecionado para o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI) da universidade. Com o apoio do professor Luiz Fernando Bianchini, as estudantes conseguiram os recursos necessários para iniciar os testes do produto.
Desenvolvimento do Produto
O BIODEFENSER® se destaca por sua capacidade de conter incêndios de forma eficaz e ambientalmente segura. Em testes laboratoriais, o produto demonstrou sucesso em apagar chamas, embora ainda não tenha sido testado em larga escala. As estudantes planejam realizar um teste piloto em breve e esperam levar o produto ao mercado no segundo semestre deste ano.
Mariah e Taciane estão também em processo de solicitação de patente, tanto no Brasil quanto no exterior, para garantir a proteção de sua invenção. A intenção é atender a uma demanda global, uma vez que incêndios florestais são um problema crescente em diversas regiões do mundo.
Impactos Ambientais e Econômicos
Os incêndios florestais são responsáveis por emissões significativas de gases de efeito estufa. Em 2024, foram contabilizadas 8,6 bilhões de toneladas de CO² emitidas devido a esses eventos. Além do impacto ambiental, os prejuízos financeiros superaram os US$ 250 bilhões. A proposta das estudantes se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, oferecendo uma solução que não apenas combate incêndios, mas também promove a recuperação do solo.
O produto desenvolvido cria uma barreira térmica que reduz a propagação das chamas e permanece ativo após a aplicação, ajudando a prevenir novos focos de incêndio. Essa inovação não só protege o ecossistema, mas também contribui para a economia de água durante o combate a incêndios.
Próximos Passos e Parcerias
O professor Luiz Fernando Bianchini, orientador das estudantes, acredita no potencial comercial do projeto e destaca a importância de buscar investidores para viabilizar a produção do BIODEFENSER®. A Embrapa Florestas já se mostrou interessada em realizar testes de campo, o que pode acelerar o processo de validação do produto.
As estudantes também planejam estabelecer parcerias com laboratórios para a produção do retardante, visando a criação de uma startup que possa levar o produto ao mercado. A obtenção da patente é um passo crucial para garantir que elas tenham direitos exclusivos sobre a produção e comercialização do BIODEFENSER®.
Com o aumento dos focos de incêndio no Brasil e no mundo, a solução proposta por Mariah e Taciane se torna ainda mais relevante. O sucesso na competição Hult Prize pode ser um divisor de águas para o projeto, permitindo que elas ampliem suas pesquisas e contribuam de forma significativa para a preservação ambiental.











