Previa: Um projeto de inclusão no futebol tem proporcionado um espaço seguro para pessoas trans no Distrito Federal, promovendo saúde mental e pertencimento. Durante a celebração do Dia do Orgulho LGBTQIA+, participantes destacaram a importância da visibilidade e da união em um ambiente muitas vezes hostil.
O educador físico Loeh da Silva Araújo, de 32 anos, é um exemplo de como o esporte pode ser uma ferramenta de inclusão. Ele, que é um homem trans, recorda que, durante sua formação, não esperava ser orientado a se separar de seus colegas por gênero. Hoje, ele lidera um projeto que reúne pessoas trans para jogar futebol em espaços públicos, promovendo não apenas a prática esportiva, mas também a saúde mental e a socialização.
“É muito mais do que futebol. Conversamos, nos unimos, cuidamos da nossa saúde mental, nos conhecemos e não nos sentimos mais solitários”, afirma Loeh. O projeto, chamado “Instituto Menines Bons de Bola”, já conta com 150 participantes que se reúnem às quintas e domingos, buscando um espaço de pertencimento e acolhimento.
Importância da Inclusão
Mayura Kali, uma das participantes, expressou o desejo de ter mais tempo para se dedicar ao esporte, mas destaca que, ao jogar futebol, encontra um ambiente que melhora seu bem-estar. “No futebol, posso ter conversas que não tenho no trabalho”, diz a lojista de 24 anos, que se destacou como atacante no grupo.
Outra participante, Lilith Lunar, de 25 anos, também ressalta a importância desses encontros. “Esses momentos nos fortalecem para o dia a dia da vida, que é tão difícil”, comenta a artesã e bartender, evidenciando o impacto positivo que o projeto tem na vida de pessoas trans.
Desafios e Espaços Seguros
O professor Loeh lamenta que muitos participantes tenham experiências negativas relacionadas a práticas esportivas em ambientes escolares, onde quadras e vestiários eram vistos como espaços de violência e bullying. “Precisamos escolher os espaços que frequentamos para que sejam de construção e que possamos nos blindar das violências”, afirma.
Durante os jogos, os participantes têm a oportunidade de desabafar e se apoiar mutuamente. “Piadinhas ou apelidos não autorizados são proibidos na nossa atividade”, destaca Loeh, enfatizando a importância de um ambiente respeitoso e acolhedor.
Um Futuro Melhor
O projeto não apenas promove a prática esportiva, mas também oferece uma nova perspectiva de vida. Daymon Luiz, de 27 anos, que também participou da celebração do Dia do Orgulho LGBTQIA+, compartilha sua experiência como pai e atleta. Ele leva sua filha de três anos para os jogos e para os atos de diversidade, sonhando com um futuro melhor para ela.
“Espero que, quando ela crescer, o mundo seja bem melhor”, conclui Daymon, refletindo sobre a importância de educar as novas gerações sobre diversidade e inclusão. O projeto de futebol, portanto, se torna um símbolo de resistência e celebração da vida, mostrando que a luta por direitos humanos e cidadania continua, mas também é tempo de comemorar as conquistas.











