Previa: A Polícia Federal bloqueou R$ 670 milhões em uma operação contra o Digimais, banco ligado ao bispo Edir Macedo. A ação investiga um esquema de manipulação contábil e irregularidades financeiras na instituição.
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Miragem, que visa desarticular um esquema fraudulento no Digimais, banco fundado pelo bispo Edir Macedo, conhecido por sua atuação à frente da Igreja Universal do Reino de Deus e da RecordTV. A operação inclui a execução de nove mandados de busca e apreensão em São Paulo.
A Justiça Federal autorizou o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 670 milhões, além da quebra de sigilos bancário e fiscal dos envolvidos. As investigações indicam que os suspeitos teriam manipulado dados contábeis para ocultar a real situação financeira do banco, com o intuito de apresentar uma imagem de solidez aos órgãos reguladores.
Contexto e Repercussão
O Digimais, que passou a ser controlado por Macedo em 2020 após a compra do antigo banco Renner, enfrenta sérios problemas financeiros. A instituição já foi alvo de tentativas de venda e reinvestimentos, e, recentemente, o BTG Pactual manifestou interesse em adquirir o banco, embora a operação esteja agora sob incertezas devido à investigação da PF.
Além das questões financeiras, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota do Digimais, citando a falta de informações atualizadas e incertezas em torno da instituição. A situação se complica ainda mais com a revelação de que o banco investiu R$ 3 bilhões em fundos cujas demonstrações financeiras não puderam ser auditadas.
Os investimentos em fundos não auditados representam 73% do total aplicado pelo Digimais nesse tipo de ativo. A auditoria realizada pela Clifton Larson Allen Brasil destacou que o banco adquiriu cotas de fundos que tiveram uma valorização expressiva em pouco tempo, mas sem a devida transparência financeira.
Alvos da Operação
Entre os alvos da operação estão diretores e conselheiros do Digimais, bem como executivos da gestora de fundos ID Serviços Financeiros, que prestava serviços ao banco. A PF cumpriu mandados em endereços relacionados a figuras chave da instituição, incluindo o presidente interino e diretores financeiros.
As investigações da PF incluem crimes como gestão fraudulenta e inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis, que são considerados graves violações das normas do Sistema Financeiro Nacional. O desdobramento da operação poderá impactar não apenas o futuro do Digimais, mas também as negociações em curso com potenciais compradores.
Até o fechamento desta matéria, tanto o bispo Edir Macedo quanto o Digimais não haviam se pronunciado sobre as acusações e a operação em andamento. A expectativa é que novos desdobramentos ocorram nas próximas semanas, à medida que a investigação avança.











