Previa: O mercado da soja na Bolsa de Chicago apresenta alta, impulsionado pelo farelo e ajustes técnicos, mas investidores permanecem cautelosos em relação ao clima nos EUA e à demanda externa.
Na terça-feira, 23 de junho, os contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) registraram ganhos, refletindo uma recuperação após dias de pressão nos preços. O aumento é atribuído a ajustes técnicos e à valorização dos subprodutos, especialmente o farelo de soja, que tem dado suporte às cotações.
Os contratos de julho estão sendo negociados a US$ 11,21 por bushel, enquanto o vencimento de novembro, que apresenta maior liquidez, opera a US$ 11,48. O milho também mostrou leve valorização, contribuindo para um sentimento mais positivo no complexo de grãos.
Clima e condições das lavouras influenciam o mercado
Apesar da alta, o mercado continua atento às condições climáticas no Meio-Oeste dos Estados Unidos. Relatos de possíveis ondas de calor e a umidade do solo, que foi beneficiada por chuvas recentes, podem impactar o desenvolvimento da safra e a volatilidade dos preços.
O último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou que 66% das lavouras de soja estão classificadas como boas ou excelentes, mantendo a estabilidade em relação à semana anterior. Com 93% da área já emergida e 9% em fase de floração, o desenvolvimento da safra é considerado adequado até o momento.
No entanto, a combinação de chuvas excessivas e calor intenso nas próximas semanas pode alterar essa perspectiva, levando os traders a monitorarem de perto as condições climáticas.
Desempenho das exportações e mercado interno
Na sessão anterior, o mercado enfrentou pressão, encerrando em baixa devido ao fraco desempenho das exportações norte-americanas. As inspeções semanais mostraram uma queda de 54,8% em relação à semana anterior, o que surpreendeu negativamente os investidores e limitou a recuperação dos preços.
Enquanto isso, no Brasil, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) revisou sua projeção de esmagamento de soja para 63 milhões de toneladas em 2026. A área plantada para a safra 2026/27 deve alcançar 49,006 milhões de hectares, um crescimento modesto de 0,9% em relação ao ano anterior.
Os preços no mercado físico brasileiro variam regionalmente, com o porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, cotado a R$ 133 por saca, enquanto em Mato Grosso do Sul, as cotações se mantêm firmes, destacando-se Chapadão do Sul a R$ 115,61.
Com a safra de soja em Mato Grosso consolidada em 51,56 milhões de toneladas, a pressão sobre a capacidade de armazenagem aumenta, especialmente com a colheita do milho em andamento.
Expectativas futuras e volatilidade do mercado
Embora a sessão de alta desta terça-feira traga um alívio temporário, o mercado global da soja continua vulnerável a fatores externos, como as exportações dos Estados Unidos e as condições climáticas. A interação entre fundamentos agrícolas e movimentações financeiras será crucial para determinar a direção dos preços nos próximos dias.
Os investidores devem permanecer vigilantes, pois a combinação de variáveis pode resultar em oscilações significativas no mercado, refletindo a complexidade da cadeia produtiva e a importância do clima na agricultura.











