Previa: Um novo relatório revela que a adoção de inteligência artificial nas empresas está aquém das expectativas dos profissionais, levando a uma possível evasão de talentos. Quase 25% dos funcionários consideram deixar seus empregos se não houver avanços significativos na implementação da tecnologia.
A inteligência artificial (IA) já se tornou uma realidade nas rotinas de trabalho, especialmente em áreas como direito, contabilidade e gestão de riscos. No entanto, muitas empresas ainda lutam para acompanhar essa evolução, conforme aponta o relatório Future of Professionals 2026, da Thomson Reuters. O estudo, que entrevistou 1.816 profissionais em 62 países, destaca a discrepância entre a rápida adoção da tecnologia e a capacidade das organizações de integrá-la de maneira eficaz.
Os dados são alarmantes: 74% dos profissionais utilizam ferramentas de IA semanalmente, mas 91% acreditam que suas empresas ainda não exploram todo o potencial da tecnologia. Essa lacuna já está gerando consequências tangíveis, com quase um quarto dos entrevistados considerando a possibilidade de deixar seus empregos nos próximos dois anos, caso não vejam melhorias significativas na adoção da IA.
Clientes estão exigindo IA – e empresas podem perder receita
A pressão por inovação não vem apenas dos funcionários. O relatório revela que 78% dos clientes corporativos consideram as melhorias proporcionadas pela IA essenciais. No entanto, apenas 6% acreditam que os fornecedores de serviços estão atendendo a essas expectativas. Essa insatisfação pode levar 32% dos clientes a reavaliar seus fornecedores nos próximos 12 meses, o que representa um risco significativo de perda de receita, especialmente nos setores jurídico e contábil, que podem ver até US$ 143 bilhões em receitas sob revisão.
A disputa por talentos
A pesquisa também indica que a falta de ferramentas adequadas de IA está influenciando as decisões de carreira. Globalmente, 24% dos profissionais que percebem a diferença entre o potencial da tecnologia e o que suas empresas oferecem consideram deixar seus empregos em até dois anos. Além disso, 62% afirmam que o acesso a ferramentas de IA avançadas seria um fator decisivo na aceitação de novas propostas de trabalho.
Adrián Fognini, head de Mercados Internacionais da Thomson Reuters, destaca que o maior risco de saída está entre profissionais em meio de carreira, que já incorporaram a IA em suas rotinas e gerenciam relações com clientes. Essa mudança de expectativa em relação às ferramentas de trabalho pode impactar diretamente a retenção de talentos nas empresas.
Quanto mais empresas demoram, mais cresce o Shadow AI
Um dos desafios enfrentados pelas organizações é o fenômeno do Shadow AI, que se refere ao uso de ferramentas de IA não autorizadas. O relatório aponta que um terço dos profissionais em áreas como direito e contabilidade já utiliza essas ferramentas sem a aprovação de suas empresas. Na América Latina, esse número sobe para 46%.
As causas desse uso não autorizado são variadas, mas Fognini aponta que a falha de gestão de mudança é um dos principais fatores. Muitas vezes, as empresas não disponibilizam as ferramentas adequadas ou não preparam seus funcionários para utilizá-las de forma eficaz. Isso leva os profissionais a buscarem soluções externas para atender à demanda por produtividade.
O desafio não é adotar IA, mas transformá-la em estratégia
Os resultados do estudo indicam que a principal barreira para as organizações não é a adoção da IA, mas sim a transformação desse uso em processos estruturados e seguros. A diferença entre experimentar a tecnologia e incorporá-la efetivamente nas operações será crucial para o futuro das empresas.
À medida que a IA se torna uma expectativa básica, as organizações precisam agir rapidamente para evitar que clientes e funcionários busquem alternativas fora de suas estruturas. O tempo é essencial, e a capacidade de integrar a IA de forma eficaz pode determinar o sucesso ou fracasso das empresas em um mercado cada vez mais competitivo.











