Previa: A suinocultura no Brasil enfrenta uma crise de rentabilidade, com a queda acentuada nos preços do suíno vivo, que ampliou os prejuízos dos produtores. Apesar do aumento nas exportações, o cenário interno permanece desafiador.
A suinocultura brasileira está passando por um momento crítico, com a rentabilidade dos produtores sob forte pressão. O relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, revela que a queda nos preços do suíno vivo em maio intensificou as perdas, mesmo com o desempenho positivo das exportações. Essa situação reflete um desequilíbrio entre oferta e demanda no mercado interno.
Os dados mostram que, em maio, o preço do suíno vivo caiu cerca de 9% nos principais estados produtores, como os do Sul e Minas Gerais. A média mensal foi de R$ 5,25 por quilo, enquanto o custo de produção alcançou R$ 6,03 por quilo. Como resultado, o prejuízo por animal abatido quase dobrou, passando de R$ 40 em abril para R$ 94 em maio.
Impacto do aumento nos abates
O aumento dos abates também contribuiu para a pressão no mercado. Segundo o IBGE, houve um crescimento de 5,5% nos abates de suínos no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da redução no peso médio das carcaças, a produção de carne suína aumentou 2,6% nesse período.
Embora as exportações tenham crescido 18% no primeiro trimestre, o ritmo acelerado dos abates em março e abril elevou a oferta interna, pressionando os preços e dificultando uma recuperação no mercado. Assim, a situação se torna ainda mais complexa para os produtores independentes.
Exportações em alta, mas insuficientes
As exportações continuam a ser um pilar importante para a cadeia suinícola. Em maio, os embarques alcançaram 111 mil toneladas, um aumento de 4,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No entanto, os números ainda não são suficientes para compensar as perdas enfrentadas pelos produtores.
Embora o spread das exportações tenha permanecido em 38%, acima da média histórica de 35%, essa margem não é suficiente para neutralizar os impactos da queda nos preços pagos aos produtores. O mercado internacional ainda apresenta oportunidades, mas a recuperação no cenário interno é essencial.
Expectativas e desafios futuros
Para os próximos meses, há uma expectativa de recuperação nos preços da carne suína, especialmente após a forte desvalorização recente. Indicadores preliminares sugerem uma desaceleração nos abates, o que pode ajudar a aliviar a pressão sobre a oferta.
No entanto, a recuperação das margens dependerá de um ajuste mais consistente entre produção e demanda. O mercado doméstico ainda enfrenta dificuldades para absorver o volume ofertado a preços que sejam viáveis para os produtores.
Outro fator preocupante é a confirmação do fenômeno El Niño, que pode impactar a produção de grãos utilizados na alimentação animal. Embora não haja previsão de aumento imediato nos custos das rações, o cenário para 2027 exige atenção e planejamento antecipado para mitigar possíveis impactos.
Em meio a esse contexto desafiador, a recomendação é que os produtores adotem uma gestão eficiente de custos e monitorem constantemente as condições de mercado. A volatilidade e os desafios para a rentabilidade da suinocultura brasileira devem ser enfrentados com cautela e estratégia.











