Previa: A Rivian enfrenta uma ação coletiva por prometer um sistema de direção autônoma que não foi entregue em seus veículos. A acusação destaca a falta de funcionalidades prometidas e levanta questões sobre a responsabilidade das montadoras em suas promessas tecnológicas.
A Rivian, fabricante de veículos elétricos, foi processada no Tribunal Federal do Distrito Central da Califórnia. A ação coletiva, protocolada no dia 17 de junho, alega que a empresa fez promessas enganosas sobre as capacidades de direção autônoma de seus modelos R1T e R1S, especificamente em relação ao sistema Driver+.
Durante cinco anos, a Rivian anunciou que seu sistema permitiria uma direção sem as mãos e sem a necessidade de olhar para a estrada, caracterizando o que é conhecido como nível 3 de autonomia. No entanto, os veículos de primeira geração da marca nunca ofereceram essa funcionalidade, conforme aponta a ação.
O que é nível 3 de autonomia
A classificação de nível 3, definida pela Society of Automobile Engineers (SAE), refere-se à capacidade do veículo de controlar direção, aceleração e frenagem em determinadas condições, sem a intervenção do motorista. Apesar disso, o condutor deve estar preparado para retomar o controle quando necessário.
O que diz a ação
O processo menciona declarações do CEO da Rivian, RJ Scaringe, feitas durante o TechCrunch Disrupt 2022, onde ele discutiu as ambições da empresa em direção autônoma. A petição afirma que “nenhuma atualização de software” poderia tornar os veículos de primeira geração capazes de operar como prometido, sugerindo que a Rivian estava ciente da impossibilidade de cumprir suas promessas.
A Rivian optou por não comentar sobre o caso, citando o litígio em andamento. A ação inclui três autores e busca um julgamento por júri, com alegações de fraude, negligência e enriquecimento ilícito.
O que mudou na segunda geração
Os novos modelos R1T e R1S, que devem ser lançados em 2024, apresentam a “Rivian Autonomy Platform” como padrão. Essa nova plataforma inclui 11 câmeras, cinco sensores de radar e um computador com dez vezes mais potência que o anterior.
Recentemente, a Rivian introduziu o “Universal Hands-Free”, que permite a direção sem as mãos em mais de 5,6 milhões de quilômetros de estradas nos EUA e no Canadá, abrangendo tanto rodovias quanto áreas urbanas com faixas visíveis.
A Rivian e o contexto do mercado automotivo
A Rivian não é a única montadora a enfrentar processos relacionados a promessas de autonomia. A Tesla, por exemplo, também enfrentou ações judiciais por não cumprir suas promessas de direção autônoma total. O Departamento de Veículos Motorizados da Califórnia chegou a acusar a Tesla de marketing enganoso em relação ao Autopilot e ao Full Self-Driving.
Esses casos levantam questões importantes sobre a responsabilidade das montadoras em suas promessas e a necessidade de regulamentações mais rigorosas no setor de veículos autônomos. À medida que a tecnologia avança, a transparência nas comunicações com os consumidores se torna cada vez mais crucial.











