Previa: O mercado de milho enfrenta pressões distintas entre os preços globais e nacionais, com Chicago em alta devido a tensões geopolíticas, enquanto o Brasil vê os preços pressionados pela colheita da safrinha.
Na quarta-feira, 17 de junho, o mercado do milho apresenta um cenário dual. Os contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT) estão em alta, impulsionados por fatores como a valorização do petróleo e incertezas no Oriente Médio. Em contrapartida, o mercado brasileiro é pressionado pelo avanço da colheita da segunda safra e a expectativa de aumento na oferta interna.
Chicago sobe com petróleo em alta e atenção ao clima nos Estados Unidos
Os contratos futuros de milho na Bolsa de Chicago iniciaram o dia em alta. Às 8h41 (horário de Brasília), o vencimento julho/2026 era cotado a US$ 4,18 por bushel, com um avanço de 4,75 pontos. O setembro/2026 subiu 5 pontos, alcançando US$ 4,27, enquanto o dezembro/2026 atingiu US$ 4,47, com valorização de 5,25 pontos.
Esse movimento positivo é resultado de preocupações climáticas no cinturão produtor dos EUA, além da valorização do petróleo, que se intensificou com as tensões no Oriente Médio. As condições climáticas, como o calor e a seca em partes do Corn Belt, estão sendo monitoradas, embora previsões de chuvas em estados como Iowa e Illinois possam amenizar as preocupações.
Colheita da safrinha amplia oferta e pressiona preços no Brasil
No Brasil, a colheita da segunda safra é o principal fator que pressiona os preços do milho. Apesar da valorização do dólar e da estabilidade em Chicago, os contratos futuros na B3 não conseguiram reagir. O contrato julho/2026 fechou a R$ 63,97 por saca, com uma leve queda de R$ 0,37.
A entrada do milho safrinha no mercado, juntamente com a conclusão da colheita da primeira safra, aumentou a disponibilidade do cereal, reforçando a pressão sobre os preços em várias regiões produtoras.
Exportações aceleram e ajudam a sustentar o mercado
Apesar da pressão da oferta interna, as exportações brasileiras de milho estão apresentando um desempenho robusto em junho. Nos primeiros nove dias úteis do mês, o Brasil embarcou 265,2 mil toneladas, o que representa cerca de 72% do total exportado em junho do ano anterior.
A média diária de embarques atingiu 29,5 mil toneladas, um crescimento de 59,5% em relação ao mesmo período de 2025. A receita cambial acumulada chegou a US$ 61,6 milhões, refletindo um aumento de 46,9% na média diária de faturamento, embora o preço médio por tonelada exportada tenha caído para US$ 232,40, uma redução de 7,9% em comparação anual.
Liquidez segue baixa nos estados produtores
Nas principais regiões produtoras do Brasil, o mercado físico continua a apresentar baixa liquidez e uma postura cautelosa dos compradores. No Rio Grande do Sul, os preços variaram entre R$ 57,00 e R$ 63,00 por saca, com uma média próxima de R$ 59,00.
Em Santa Catarina e no Paraná, a demanda está reduzida, pois os consumidores estão bem abastecidos. No Paraná, os preços pagos aos produtores oscilaram entre R$ 54,19 em Cascavel e R$ 63,54 em Ponta Grossa. Em Mato Grosso do Sul, onde a colheita da segunda safra avança, os preços ficaram entre R$ 49,00 e R$ 52,00 por saca.
Mercado acompanha clima, petróleo e ritmo da colheita
Nos próximos dias, o foco do mercado estará em três fatores principais: as condições climáticas nos Estados Unidos, as tensões geopolíticas no Oriente Médio e o progresso da colheita da safrinha no Brasil. Enquanto Chicago se beneficia de incertezas externas e riscos climáticos, o mercado nacional continua a ser influenciado pelo aumento da oferta interna.
Esse cenário de volatilidade exige atenção redobrada dos produtores na definição de suas estratégias de comercialização, uma vez que as condições do mercado podem mudar rapidamente com base em fatores climáticos e econômicos.











