Previa: O mercado de trigo no Brasil se fortalece devido à oferta limitada, enquanto o vazio sanitário da soja em Mato Grosso exige planejamento estratégico para a próxima safra. Esses fatores impactam diretamente a rentabilidade e a gestão das propriedades rurais.
O agronegócio brasileiro enfrenta um momento crítico, onde decisões estratégicas são essenciais para a rentabilidade das propriedades. A valorização do trigo, impulsionada pela oferta restrita e pela crescente necessidade de importações, contrasta com o vazio sanitário da soja em Mato Grosso, que exige ações de manejo e planejamento para a próxima safra.
Oferta reduzida mantém mercado de trigo firme no Sul
No Sul do Brasil, o mercado de trigo se mostra fortalecido, sustentado pela percepção de estoques reduzidos até a próxima safra e pelo aumento dos preços do cereal importado. No Rio Grande do Sul, a menor disponibilidade do grão diminuiu a pressão de venda dos produtores, enquanto os moinhos buscam lotes de qualidade superior, especialmente aqueles com alto índice de força de glúten.
Atualmente, restam entre 190 mil e 210 mil toneladas de trigo disponíveis no estado, um volume considerado insuficiente para atender à demanda até novembro. A necessidade de importação é estimada em cerca de 240 mil toneladas, o que reforça a pressão sobre os preços internos, que se mantêm elevados.
Com o trigo argentino sendo comercializado a aproximadamente US$ 300 por tonelada em Canoas (RS), os preços internos seguem em alta. As negociações para embarques nos próximos meses já alcançaram R$ 1.400 por tonelada, refletindo a escassez do produto no mercado.
Próxima safra preocupa produtores
Apesar do cenário positivo para os preços, a próxima safra de trigo gera apreensão entre os produtores. Os altos custos de produção, margens mais apertadas e os riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño têm levado cooperativas a considerar uma redução de até 40% na área cultivada.
Em Santa Catarina, os preços também apresentam leve valorização, com o trigo-pão sendo negociado a R$ 1.360 por tonelada. Já no Paraná, as negociações estão mais lentas, com referências de preços variando conforme a região.
Vazio sanitário da soja mantém atividade intensa nas propriedades
Durante o vazio sanitário da soja, que começou em 8 de junho e se estende até 6 de setembro, os produtores de Mato Grosso continuam ativos. Essa medida visa interromper o ciclo da ferrugem asiática, uma das doenças mais prejudiciais à cultura da soja, através da proibição do cultivo e da eliminação de plantas vivas.
Embora a soja não esteja sendo cultivada, as propriedades estão movimentadas com o desenvolvimento de outras culturas, como milho segunda safra, algodão e sorgo. Essas lavouras são fundamentais para a geração de receita e para a preparação do solo para a próxima safra de soja.
Manejo atual influencia diretamente a safra 2026/27
O manejo das lavouras neste período é crucial para o sucesso da safra 2026/27. Práticas como o consórcio de milho com braquiária são destacadas por especialistas como essenciais para a conservação do solo e melhoria da qualidade agronômica.
Decisões tomadas agora terão reflexos diretos nos resultados futuros. O gerente Técnico e de Serviços da Fiagril, Talis Melo, enfatiza que o manejo atual é um período de planejamento e correção, que pode determinar o sucesso da próxima temporada.
O agronegócio brasileiro se encontra em uma fase estratégica, onde a combinação de gestão eficiente, monitoramento de mercado e boas práticas agronômicas será determinante para enfrentar os desafios climáticos e econômicos que ainda estão por vir.











