Previa: O vazio sanitário da soja em Goiás, que começa em 27 de junho e vai até 24 de setembro de 2026, é uma medida crucial para combater a ferrugem asiática, uma das principais ameaças à cultura da soja no Brasil.
O estado de Goiás se prepara para o início do vazio sanitário da soja, uma estratégia essencial para a proteção das lavouras. A partir do dia 27 de junho e até 24 de setembro de 2026, a presença de plantas vivas de soja nas propriedades rurais será proibida. Essa ação visa interromper o ciclo de pragas e doenças, especialmente a ferrugem asiática, que tem se mostrado uma grave ameaça à produção agrícola no país.
A decisão foi formalizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) através da Portaria nº 1.579/2026. Durante esse período, os produtores devem eliminar todas as plantas tigueras, que são aquelas que surgem espontaneamente após a colheita. Essa prática é fundamental para evitar a chamada “ponte verde”, que permite a sobrevivência e multiplicação de doenças entre as safras.
Importância do vazio sanitário para a produtividade
José Ricardo Caixeta Ramos, presidente da Agrodefesa, ressalta que o vazio sanitário é uma estratégia respaldada por estudos científicos e que contribui diretamente para a produtividade das lavouras. Ele destaca que essa medida é eficaz para reduzir a pressão de doenças e manter a competitividade da sojicultura goiana.
Leonardo Macedo, gerente de Sanidade Vegetal da Agrodefesa, alerta que as plantas tigueras são um dos principais desafios no período de entressafra. Elas servem como hospedeiras do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática, e favorecem a sobrevivência de pragas como a mosca-branca.
Goiás é um dos maiores produtores de soja do Brasil, respondendo por mais de 11% da produção nacional. Segundo o 9º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estado deve encerrar a temporada com uma produção estimada em 20,1 milhões de toneladas de soja, ocupando a terceira posição no ranking nacional.
Rafael Vieira, diretor de Defesa Agropecuária da Agrodefesa, enfatiza que o cumprimento das medidas sanitárias é crucial para a sustentabilidade e competitividade da agricultura goiana nos mercados nacional e internacional. A colaboração entre produtores, entidades e órgãos públicos é essencial para o sucesso dessas iniciativas.
Cadastro de lavouras e medidas adicionais
Além de respeitar o vazio sanitário, os produtores devem realizar o cadastro das áreas cultivadas no Sistema de Defesa Agropecuária de Goiás (Sidago). Essa obrigatoriedade, prevista na Instrução Normativa nº 6/2024, estabelece um prazo para o registro das lavouras até 15 dias após o encerramento do período oficial de semeadura, com data limite em 17 de janeiro de 2027.
A ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é uma das doenças mais devastadoras para a soja. Ela provoca lesões nas folhas e pode resultar em perdas superiores a 70% da produtividade se não for controlada adequadamente. Por isso, o vazio sanitário é considerado uma ferramenta vital para garantir a segurança produtiva na próxima safra.











