Previa: As exportações do Brasil para os Estados Unidos enfrentam uma queda significativa em 2026, atingindo o menor nível em três anos. A retração impacta diversos setores, especialmente o agronegócio, que lida com desafios de competitividade e demanda.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos continuam a apresentar uma trajetória de queda em 2026. Entre janeiro e maio, os embarques totalizaram US$ 14,01 bilhões, refletindo uma redução de 16% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Este é o menor valor registrado para os primeiros cinco meses do ano desde 2022, conforme dados do Monitor do Comércio Brasil–Estados Unidos, publicado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).
Queda nas exportações e seus principais fatores
Em maio, as vendas para o mercado norte-americano somaram US$ 3,09 bilhões, uma diminuição de 14% em relação ao mesmo mês de 2025. A principal causa dessa retração foi a diminuição nas exportações de petróleo bruto, café e ferro-gusa, que sofreram quedas acentuadas em seus embarques.
O petróleo bruto viu uma redução de 38,1% nas vendas em maio, resultado da diminuição da demanda nos Estados Unidos. O café não torrado, por sua vez, teve uma queda de 39,1%, influenciada por problemas de oferta e produção no Brasil. O ferro-gusa também apresentou uma retração significativa de 30,4%.
Impacto das sobretaxas e setores em crescimento
Além da queda nas exportações, as sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos a determinados produtos brasileiros continuam a pressionar o comércio. Em maio, as exportações afetadas por essas tarifas caíram 14,6%, com destaque para o setor de caminhões, que viu suas vendas despencarem 47,6%.
Apesar do cenário desafiador, alguns setores se destacaram positivamente. As exportações de carne bovina aumentaram 36% no acumulado de janeiro a maio, totalizando US$ 973,4 milhões. O setor aeronáutico também registrou um crescimento expressivo, com um aumento de 24,4% nas exportações de aeronaves e equipamentos relacionados.
Déficit comercial e perspectivas futuras
A combinação da queda nas exportações com uma retração menos intensa nas importações ampliou o déficit comercial brasileiro com os Estados Unidos. Nos primeiros cinco meses de 2026, o saldo negativo alcançou US$ 1,5 bilhão, um crescimento de 43,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As importações do Brasil provenientes dos Estados Unidos totalizaram US$ 15,48 bilhões, com uma queda de 12,6%. Em maio, as compras recuaram 11%, influenciadas principalmente pela redução nas importações de motores, máquinas, aeronaves e petróleo bruto.
Apesar da retração, os Estados Unidos permanecem como o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. No entanto, a competitividade em importantes cadeias exportadoras está em risco, com apenas alguns produtos, como equipamentos de engenharia civil e máquinas de energia elétrica, apresentando desempenho superior em comparação com as exportações para o restante do mundo.
O agronegócio brasileiro enfrenta desafios significativos, com o café não torrado registrando uma queda de 38% nas exportações e o suco de laranja apresentando uma retração superior a 53%. Contudo, a carne bovina se destaca como um dos poucos setores com crescimento, ajudando a compensar as perdas em outras áreas.
As perspectivas para o comércio bilateral permanecem desafiadoras, com a continuidade das sobretaxas e a desaceleração da demanda norte-americana. A recuperação dependerá de um ambiente internacional mais favorável e da retomada da competitividade dos produtos brasileiros no mercado global.











