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Daniel Vorcaro depõe à PF e nega envolvimento com grupo criminoso “A Turma”

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) na tarde desta quarta-feira (30) e negou envolvimento em atos violentos ou intimidatórios contra adversários.

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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) na tarde desta quarta-feira (30) e negou envolvimento em atos violentos ou intimidatórios contra adversários. Durante seu depoimento, ele afirmou não ter conhecimento da existência de grupos denominados “A Turma” ou “Os Meninos”.

“Com o efetivo acesso da Defesa ao inquérito que investiga a suposta existência de grupos como ‘A Turma’ ou ‘Os Meninos’, ficou comprovado que tais expressões jamais designaram grupos específicos ou estruturas organizadas, evidenciado que não há qualquer tipo de ilicitude ou prática criminosa que possa ser atribuída a Daniel Vorcaro”, declarou a defesa do ex-banqueiro em nota.

A PF identificou a existência desses grupos a partir de mensagens extraídas do celular de Vorcaro. As investigações revelaram um acúmulo de evidências sobre atividades ilícitas, incluindo conversas obtidas do celular do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. O relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) à época, ministro André Mendonça, descreveu “A Turma” como uma estrutura destinada a monitorar e coletar informações de interesse do grupo, além de realizar atos de coação e intimidação contra concorrentes, ex-empregados e jornalistas.

Um dos episódios mais graves discutidos pelo grupo foi a simulação de um assalto para “quebrar todos os dentes” do jornalista de O Globo, Lauro Jardim, que teria publicado matérias que desagradaram Vorcaro. Segundo a PF, o grupo era liderado por Henrique Vorcaro, pai de Daniel, e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, atuava como gerente das operações.

Sicário e as Alegações de Daniel Vorcaro

Durante seu depoimento, Daniel Vorcaro afirmou conhecer apenas Mourão, com quem teria um “contrato formal e lícito de prestação de serviços de inteligência e segurança digital”. Sicário, que foi preso em uma fase anterior da Operação Compliance Zero, cometeu suicídio na cela da superintendência da PF em Belo Horizonte. O depoimento de Vorcaro foi agendado para esclarecer as atividades desses grupos. Seus advogados sustentaram que nunca houve ameaça ou risco à integridade física de terceiros.

“Eventuais desabafos, oriundos de recortes maliciosos de mensagens privadas, proferidos em momentos de indignação, jamais redundaram em consequências práticas ou em qualquer risco real a terceiros, o que fica comprovado na própria sequência completa das mensagens, na realidade fática verificada e no perfil pacífico de Daniel Vorcaro”, afirmou a defesa.

A defesa de Vorcaro também solicitou a sua libertação, argumentando que não existem mais razões para que ele permaneça preso enquanto aguarda o desfecho das investigações. “Não resta dúvida de que os motivos que ensejaram a prisão não mais persistem”, afirmaram os advogados.

Depoimento de Henrique Vorcaro

Henrique Vorcaro, pai de Daniel, também prestou depoimento à PF nesta quarta-feira. Ele negou ser o articulador do grupo “A Turma” e afirmou que teve apenas relações comerciais com três dos integrantes. A defesa de Henrique criticou a manutenção da prisão de seu cliente e a falta de decisões no processo no STF, alegando que não há relator que decida sobre o caso e que pedidos feitos ao ministro André Mendonça, quando ele era relator, não foram respondidos.

As investigações continuam e a PF segue coletando evidências para esclarecer a suposta atuação dos grupos mencionados, enquanto os advogados de ambos os Vorcaro buscam a liberdade de seus clientes, alegando a ausência de provas concretas que justifiquem a prisão.

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