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Unifesp encontra resíduo compatível com sangue no antigo DOI-Codi/SP

Pesquisadores da Unifesp descobriram resíduos compatíveis com sangue e um calendário gravado em paredes do antigo DOI-Codi/SP, revelando traços da repressão durante a ditadura militar.

Unifesp encontra resíduo compatível com sangue no antigo DOI-Codi/SP

Prévia: Pesquisadores da Unifesp descobriram resíduos compatíveis com sangue e um calendário gravado em paredes do antigo DOI-Codi/SP, revelando traços da repressão durante a ditadura militar. A pesquisa destaca a importância da memória e da verdade sobre os abusos cometidos no passado.

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) liderou uma pesquisa que trouxe à tona evidências de abusos ocorridos no DOI-Codi de São Paulo, um dos principais centros de repressão da ditadura militar brasileira. A investigação, que combina arqueologia e ciências forenses, revelou resíduos compatíveis com sangue e um calendário gravado em uma parede, ambos associados ao período de funcionamento do local.

O projeto é parte de uma colaboração interinstitucional que envolve a Unicamp, UFMG, UFSC e USP. Os pesquisadores analisaram áreas do edifício, que foi utilizado para detenções e torturas, e encontraram amostras de sangue em uma sala de interrogatório. Embora as análises não tenham conseguido determinar a data exata da deposição, o contexto arqueológico ajudou a situar os vestígios no período de repressão.

Descobertas Arqueológicas

Uma das descobertas mais impactantes foi a identificação de um calendário gravado na parede de um banheiro, que, segundo os pesquisadores, representa uma tentativa de manter a noção de tempo em um ambiente opressivo. As inscrições, que datam de 1970, foram confirmadas por testemunhos de ex-presos políticos que estiveram no local.

Esse calendário é um testemunho material da experiência vivida por aqueles que foram encarcerados, refletindo a luta pela sobrevivência em condições extremas. A pesquisa destaca a importância de resgatar a memória histórica e promover a verdade sobre os direitos humanos durante a ditadura.

O Edifício DOI-Codi/SP

Localizado na Rua Tutóia, o DOI-Codi/SP foi um espaço de repressão que abrigou mais de 7 mil pessoas e é oficialmente associado a pelo menos 52 mortes. O prédio 2-a, onde as investigações se concentram, é reconhecido por sobreviventes como um dos principais locais de tortura e interrogatório.

A pesquisa revelou a complexidade da história do edifício, que passou por diversas reformas ao longo dos anos. A falta de registros detalhados exigiu uma abordagem que combinou testemunhos, documentos históricos e análise arqueológica, permitindo uma compreensão mais profunda das práticas de repressão.

Os pesquisadores utilizaram tecnologias avançadas, como radar de penetração no solo e escaneamento tridimensional, para mapear o edifício. As escavações realizadas em 2023 revelaram não apenas as camadas de tinta e reboco, mas também o contrapiso de madeira original, trazendo à luz a materialidade da repressão.

Essas descobertas reforçam a importância de investigar e documentar os locais de violação de direitos humanos, não apenas como um ato de memória, mas também como um passo fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e consciente de seu passado. A pesquisa da Unifesp é um exemplo de como a ciência pode contribuir para a verdade e a reparação histórica.

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