O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu, em decisão liminar, a candidatura de Deltan Dallagnol (Novo-PR) ao Senado pelo Paraná. A medida, assinada pelo ministro Floriano de Azevedo Marques, impede o ex-deputado de realizar atos de campanha até que um recurso contra o registro seja julgado. A decisão foi divulgada na noite de sábado, 19 de setembro de 2026.
Com a liminar, Dallagnol não poderá utilizar recursos públicos de campanha, veicular propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, ou participar de debates. O ministro Floriano de Azevedo Marques apontou indícios de que o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) contrariou um entendimento anterior do TSE ao autorizar a candidatura do ex-procurador da República.
Em 2023, o TSE considerou Dallagnol inelegível, argumentando que ele pediu exoneração do Ministério Público Federal de forma antecipada para evitar a conclusão de procedimentos disciplinares que poderiam comprometer sua candidatura. Na ocasião, os ministros concluíram que essa conduta configurou fraude, resultando em sua inelegibilidade de acordo com a Lei da Ficha Limpa.
Apesar disso, o TRE-PR havia deferido o registro de Dallagnol para a disputa de 2026, alegando que os procedimentos administrativos contra ele foram arquivados e não resultaram em punições. O tribunal também considerou que a decisão do TSE de 2023 não estabelecia um impedimento automático para a eleição deste ano.
O ministro Floriano de Azevedo Marques, no entanto, ressaltou que os desdobramentos posteriores não afastam, por si só, a possível fraude identificada no momento da exoneração. Ele argumentou que a ausência de mudanças relevantes na situação jurídica do candidato recomenda a manutenção do entendimento anterior do TSE.
A liminar foi concedida a pedido da Coligação Paraná Para Todos e da Federação Brasil da Esperança (FE Brasil), que solicitaram efeito imediato ao recurso contra a decisão do TRE-PR. A suspensão da candidatura de Dallagnol representa um desdobramento significativo em um cenário eleitoral já conturbado.
Deltan Dallagnol ganhou notoriedade nacional como coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba e foi eleito deputado federal pelo Paraná em 2022. Na disputa pelo Senado em 2026, ele figurava entre os primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto, com um levantamento da Realtime Bigdata, divulgado em setembro, indicando que Dallagnol tinha 19% das intenções, seguido por Alexandre Curi (Republicanos) com 18%.
A suspensão da candidatura pode impactar significativamente a dinâmica da eleição no Paraná, uma vez que Dallagnol é um nome forte e conhecido entre os eleitores. A decisão do TSE poderá ser contestada, mas, por ora, ele enfrenta um obstáculo considerável em sua trajetória política.











