As recentes decisões do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, têm gerado uma série de suspeitas sobre sua atuação em favor de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante a campanha presidencial. Nunes Marques, que foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro, pai do presidenciável, é acusado de promover uma “blindagem” para proteger o candidato do PL de possíveis derrotas eleitorais. Essa situação trouxe à tona um clima de desconforto entre os integrantes da própria Corte.
Uma das decisões mais controversas foi a derrubada do chamado “Exército do Lula”, um canal de campanha petista no WhatsApp que rapidamente conquistou cerca de 3,3 milhões de seguidores. Além disso, semanas atrás, Nunes Marques determinou a remoção de um jingle utilizado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha contra Flávio Bolsonaro, o que intensificou as críticas à sua imparcialidade.
O nome de Nunes Marques ganhou destaque em meio a revelações sobre mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. De acordo com diálogos obtidos pela Polícia Federal e enviados ao STF, um contrato de advocacia de R$ 427 milhões com a chamada “Turma do KN” teria sido negociado pelo banco. Esse contrato implicaria em um repasse financeiro caso houvesse resultados favoráveis em ações judiciais de interesse do Banco Master, podendo liberar até R$ 8,5 bilhões em precatórios.
As mensagens indicam que “KN” se refere a Kassio Nunes Marques, enquanto a “turma” mencionada incluiria o desembargador Newton Ramos e sua esposa, a advogada Camilla Ramos. O ministro, por sua vez, classificou a divulgação das mensagens como uma tentativa de criar uma narrativa para incriminá-lo, negando ter trocado mensagens com Vorcaro.
O filho de Nunes Marques
A investigação da Polícia Federal, parte da Operação Compliance Zero, que foca no Banco Master, também menciona diálogos entre Vorcaro e Luiz Rennó, ex-diretor jurídico do banco. Nesses diálogos, discutem-se supostos pagamentos mensais de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, filho de Nunes Marques. Kevin, por sua vez, afirmou que nunca prestou serviços ao Banco Master e que os valores recebidos, totalizando R$ 281,6 mil, vieram de uma empresa chamada Consult, relacionada a serviços tributários específicos, sem conexão com o STF.
Encontros íntimos
Além das questões financeiras, surgiram alegações sobre um suposto encontro entre Kassio Nunes Marques e uma garota de programa, supostamente paga por Daniel Vorcaro, em um apartamento de luxo em São Paulo. Essa propriedade pertenceu a uma empresa ligada a Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, que é apontado como operador financeiro de esquemas de lavagem de dinheiro do Banco Master e está preso desde março.
Conversas encontradas no celular de Vorcaro revelaram diálogos de março de 2025 com uma interlocutora identificada como “Rayanna”, que mencionou que uma amiga havia “ficado com o Kassio” e estava cobrando pelo encontro. Vorcaro solicitou os dados e a interlocutora pediu R$ 10 mil, enviando uma chave Pix para o pagamento. Nunes Marques, no entanto, negou veementemente qualquer envolvimento nesse tipo de encontro ou troca de mensagens com Vorcaro.
Suspeição declarada
A divulgação dessas mensagens teve um impacto significativo na atuação de Nunes Marques no STF. No início do mês passado, durante o julgamento da investigação envolvendo Daniel Vorcaro, o ministro se declarou impedido de participar da sessão que analisaria as mensagens obtidas pela PF. Essa declaração ocorreu após um relatório lido pelo presidente do STF, Edson Fachin, e Nunes Marques reiterou que não houve interferência de Vorcaro em suas decisões na Corte.











