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Trigo tem alta global com menor safra dos EUA em 50 anos e oferta restrita no Brasil

O mercado global de trigo enfrenta uma alta significativa devido à redução da produção nos Estados Unidos, que atingiu o menor nível em mais de 50 anos.

Trigo tem alta global com menor safra dos EUA em 50 anos e oferta restrita no Brasil

Previa: O mercado global de trigo enfrenta uma alta significativa devido à redução da produção nos Estados Unidos, que atingiu o menor nível em mais de 50 anos. No Brasil, a oferta restrita da safra anterior e desafios de qualidade também impactam os preços.

O mercado de trigo começou a semana em alta, impulsionado pela recente divulgação do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A estimativa de produção norte-americana foi reduzida para o menor volume em mais de cinco décadas, o que gerou preocupações sobre a oferta global do cereal e elevou as cotações internacionais.

De acordo com o levantamento do Cepea, a desvalorização do dólar frente ao real tem aumentado a competitividade das importações, limitando, assim, as altas nos preços domésticos. Apesar do cenário de valorização no exterior, a oferta restrita da safra velha no Brasil continua sustentando os preços.

USDA reduz projeção da safra mundial de trigo

O USDA revisou para baixo a estimativa da produção mundial de trigo para a safra 2026/27, agora projetada em 819,97 milhões de toneladas. Essa cifra representa uma queda de cerca de 2,8% em relação à temporada anterior, refletindo principalmente as menores projeções para os Estados Unidos e Canadá.

Nos Estados Unidos, a produção foi ajustada para 41,81 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 22,6% em relação à safra anterior. Este é o menor volume desde a temporada 1970/71, o que eleva as preocupações sobre a disponibilidade global do cereal.

Oferta limitada sustenta preços no Brasil

No Brasil, a escassez de trigo da safra anterior mantém os preços elevados, mesmo com a maior competitividade dos produtos importados. A combinação de estoques reduzidos e a demanda contínua dos moinhos impede quedas mais acentuadas nas cotações.

No Rio Grande do Sul, os moinhos estão reduzindo o ritmo de moagem devido à menor demanda por novos lotes. A pressão sobre os preços é acentuada pelo excesso de sementes disponíveis no mercado, que estão sendo negociadas a cerca de R$ 1.250 por tonelada.

Além disso, a qualidade dos lotes remanescentes tem gerado preocupações, especialmente devido aos altos índices de DON (deoxinivalenol), que comprometem a utilização industrial do trigo. O preço do trigo argentino, por sua vez, também tem influenciado o mercado, sendo cotado a aproximadamente US$ 275 por tonelada.

Mercado em Santa Catarina e Paraná

Em Santa Catarina, o mercado permanece praticamente parado, com produtores aguardando uma valorização maior nas cotações. As indicações de preços variam entre R$ 1.300 e R$ 1.400 por tonelada, mas não há registros de negócios relevantes.

No Paraná, a baixa disponibilidade interna tem mantido os preços firmes, com ofertas em torno de R$ 1.450 por tonelada CIF. A procura pelo trigo paraguaio aumentou, impulsionada pela melhor qualidade e disponibilidade do produto.

Com a combinação de uma perspectiva de menor produção nos Estados Unidos e a restrição da oferta da safra velha no Brasil, o mercado de trigo continua em atenção. Fatores como o comportamento do dólar e a qualidade dos grãos disponíveis serão cruciais para determinar a direção dos preços nas próximas semanas.

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