Previa: A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear investiga denúncias de contaminação por material radioativo no Ipen, em São Paulo. Trabalhadores e sindicatos pedem esclarecimentos sobre a situação e alertam para problemas estruturais na instituição.
Recentemente, surgiram denúncias sobre a possível contaminação por material radioativo nas instalações do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), localizado no campus da Universidade de São Paulo (USP). A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) já solicitou esclarecimentos sobre o caso, que levanta preocupações sobre a segurança dos trabalhadores e a infraestrutura da instituição.
O Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e a Associação dos Servidores do Ipen (Assipen) manifestaram preocupação com a situação e solicitaram um posicionamento oficial das direções do Ipen e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). A CNEN confirmou que o incidente está registrado no Relatório de Ocorrência Interna nº 04/2026, que está sendo analisado pela ANSN.
Detalhes do Incidente
De acordo com a CNEN, o relatório indica que o incidente envolveu a presença de traços de tecnécio-99 durante a retirada de sensores biológicos de uma autoclave. Dois trabalhadores, considerados Indivíduos Ocupacionalmente Expostos (IOEs), foram submetidos a exames que mostraram contaminação restrita à área controlada, sem evidências de contaminação interna.
Entretanto, o Sindsef-SP informou que a situação exigiu procedimentos emergenciais de descontaminação, incluindo a retenção de roupas utilizadas pelos trabalhadores e a atuação da equipe de Proteção Radiológica. A entidade destaca que parte dos procedimentos de descontaminação ocorreu em locais inadequados, levantando questões sobre a infraestrutura e os protocolos de segurança do Ipen.
Diante da gravidade do caso, o sindicato solicita informações detalhadas sobre o material radioativo envolvido, o número de trabalhadores afetados, os níveis de contaminação e as medidas adotadas pela administração para conter a situação. A falta de transparência nesse processo é uma preocupação crescente entre os servidores.
Problemas Estruturais e Sucateamento
Os representantes dos trabalhadores também apontam que a contaminação não é um caso isolado. Eles afirmam que o Ipen enfrenta problemas estruturais devido a cortes orçamentários e à redução do quadro de pessoal. Eventos anteriores, como o incêndio na Sala de Controle do Reator IEA-R1, evidenciam a deterioração das condições de trabalho e segurança na instituição.
O Sindsef-SP destaca que a situação atual é resultado de uma política de desmonte do Estado, que se intensificou nos últimos 15 anos. Os trabalhadores pedem investimentos em infraestrutura e a realização de concursos para a contratação de novos servidores, além de uma estratégia clara para o Programa Nuclear Brasileiro.
Outro ponto crítico mencionado é o atraso nos exames médicos específicos dos servidores que lidam com materiais radioativos, que estão pendentes há mais de um ano. Essa situação agrava ainda mais as preocupações sobre a saúde e segurança dos trabalhadores do Ipen.
A USP, por sua vez, esclareceu que, apesar de estar localizada na Cidade Universitária, o Ipen é uma autarquia vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, gerida pela CNEN. A situação atual exige uma resposta rápida e eficaz para garantir a segurança dos trabalhadores e a integridade das pesquisas realizadas na instituição.











