Previa: A Universidade Federal de Lavras desenvolve uma tecnologia inovadora que utiliza inteligência artificial para avaliar a qualidade da madeira em tempo real, prometendo modernizar o setor florestal e otimizar a cadeia produtiva.
A pesquisa da Universidade Federal de Lavras (UFLA) está revolucionando a forma como a qualidade da madeira é avaliada, utilizando inteligência artificial e sensores de infravermelho próximo (NIR). Essa tecnologia permite que a análise ocorra diretamente no campo ou na indústria, eliminando a necessidade de amostras laboratoriais, que são frequentemente demoradas e custosas.
O projeto visa implementar a análise da madeira em locais como florestas e pátios de estocagem, acelerando a tomada de decisões na cadeia produtiva. Com isso, espera-se aumentar a eficiência e reduzir os custos operacionais no setor florestal.
Inteligência artificial e sensores NIR tornam análise da madeira mais rápida e precisa
A tecnologia utiliza espectrômetros portáteis NIR, que são combinados com modelos matemáticos e algoritmos de aprendizado de máquina. Esses sistemas são capazes de estimar, em tempo real, características essenciais da madeira, como densidade, teor de umidade e identificação de espécies florestais.
A análise é realizada a partir da leitura da “assinatura espectral” de cada amostra, que é gerada quando a madeira reflete a luz infravermelha de maneira específica. Essa assinatura é interpretada por modelos treinados com dados laboratoriais, garantindo precisão nos resultados.
Equipamentos portáteis reduzem custos e ampliam aplicação no campo
Um dos principais dispositivos utilizados na pesquisa é o espectrômetro portátil TrinamiX, que se destaca por sua tecnologia NIR de nova geração. Com um custo estimado em R$ 70 mil, esse equipamento é significativamente mais acessível do que os sistemas tradicionais, que podem ultrapassar R$ 250 mil.
Essa redução de custos amplia o acesso à tecnologia, permitindo que mais produtores e indústrias florestais utilizem ferramentas modernas para melhorar a qualidade e a eficiência de suas operações.
Tecnologia funciona mesmo em madeira úmida e condições desafiadoras
Os pesquisadores garantem que os modelos de inteligência artificial foram treinados para operar em condições complexas, como madeira recém-cortada e úmida. Um dos avanços mais significativos do estudo é a “transferência de calibração”, que possibilita aplicar modelos desenvolvidos em laboratório diretamente em sensores portáteis.
Essa inovação amplia a escala de uso da tecnologia, permitindo que ela seja aplicada tanto no campo quanto na indústria, aumentando a eficiência dos processos de análise.
Inovação integra conceito de Floresta 4.0 e amplia controle de qualidade
A pesquisa está alinhada ao conceito de Floresta 4.0, que busca digitalizar e automatizar os processos florestais. A nova tecnologia pode contribuir para o monitoramento em tempo real da qualidade da madeira, redução de desperdícios e maior eficiência no processamento florestal.
Além disso, a capacidade de identificar espécies florestais pode reforçar ações de controle ambiental e rastreabilidade, aspectos fundamentais para a sustentabilidade do setor.
Projeto é financiado pela Fapemig e integra rede internacional de pesquisa
Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, o projeto teve início em 2024 e faz parte de uma linha de pesquisa da UFLA com mais de dez anos dedicada ao uso da espectroscopia NIR na madeira. A iniciativa conta com a colaboração de instituições como a Universidade Federal de Viçosa e a Universidade Federal do Tocantins, além de cooperação internacional com o Centre de Coopération Internationale en Recherche Agronomique pour le Développement, da França.
Próximos passos incluem expansão de dados e automação industrial
As próximas etapas da pesquisa incluem a ampliação das bases de dados e a integração de novos sensores, além do aprimoramento dos modelos de inteligência artificial. A equipe também planeja desenvolver sistemas automatizados que possam operar continuamente em ambientes industriais, buscando parcerias com empresas do setor florestal para validação em escala comercial.
Até o momento, o projeto já resultou em publicações científicas em periódicos internacionais e na formação de estudantes brasileiros e estrangeiros, incluindo pesquisadores do Peru e de Moçambique, evidenciando o caráter global da iniciativa.











