Previa: A recente imposição de tarifas pelos Estados Unidos sobre o etanol brasileiro traz novos desafios ao setor, que agora precisa explorar mercados alternativos para manter sua competitividade. A análise da StoneX aponta que a diversificação será crucial para enfrentar as barreiras comerciais e a crescente produção interna.
O mercado de etanol no Brasil enfrenta uma nova realidade após a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Essa medida, segundo a consultoria StoneX, exigirá que o setor busque novos destinos internacionais para compensar as perdas nas vendas para o mercado norte-americano, que historicamente foi um dos principais compradores do etanol brasileiro.
A combinação de barreiras comerciais e políticas de incentivo ao etanol de milho nos EUA deve limitar o espaço para o etanol brasileiro no mercado internacional. A StoneX sugere que a Coreia do Sul, os Países Baixos e as Filipinas são mercados estratégicos que podem ser explorados, uma vez que já possuem histórico de importações do produto brasileiro.
Tarifa americana amplia pressão sobre cadeia do etanol
A tarifa imposta pelos EUA impacta diretamente a cadeia produtiva do etanol. Produtores americanos justificam a medida com a existência de uma tarifa brasileira de 18% sobre o etanol importado, defendendo a proteção do mercado interno. Para a StoneX, essa política pode fortalecer a indústria americana de etanol de milho, especialmente com a ampliação do uso do E15 nos Estados Unidos.
Essa mudança pode reduzir em até 76% o potencial exportável americano até 2027, alterando o equilíbrio do mercado global de biocombustíveis e exigindo uma resposta rápida do Brasil para manter sua competitividade.
Brasil terá de diversificar mercados internacionais
Com a produção de etanol no Brasil atingindo níveis recordes e a demanda interna não acompanhando esse crescimento, o setor precisa diversificar suas exportações. A StoneX destaca que as usinas brasileiras devem buscar alternativas comerciais para equilibrar a oferta e a demanda.
Os dados de 2026 mostram que a Coreia do Sul e as Filipinas reduziram suas compras de etanol brasileiro, enquanto os Países Baixos quase dobraram os volumes adquiridos. Essa dinâmica reforça a necessidade de estratégias de mercado mais robustas.
Relação comercial entre Brasil e EUA muda de cenário
Historicamente, o comércio de etanol entre Brasil e Estados Unidos foi favorável ao Brasil, mas essa situação começou a mudar. Em 2024, o superávit brasileiro foi de 202 mil metros cúbicos, caindo para 113 mil metros cúbicos em 2025, uma redução significativa de 44%.
Essa mudança se deve a uma queda de 18,5% nas exportações brasileiras e um aumento de 28,1% nas importações de etanol americano, evidenciando uma nova dinâmica no comércio bilateral.
Aumento da mistura de anidro impulsionou importações
Uma alteração importante ocorreu em agosto de 2025, quando o Brasil aumentou a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 27% para 30%. Essa mudança elevou a demanda interna e reduziu os estoques disponíveis, levando o país a aumentar as importações de etanol.
As compras de etanol dos Estados Unidos cresceram de 0,2 mil metros cúbicos em agosto de 2024 para 35 mil metros cúbicos em agosto de 2025, refletindo a necessidade de garantir o abastecimento interno.
Brasil importou maior volume de etanol americano desde 2020
O aumento das importações se intensificou no início de 2026, com o Brasil importando 248 mil metros cúbicos de etanol americano entre janeiro e março, o maior volume desde 2020. No primeiro semestre de 2026, as importações chegaram a 250,8 mil metros cúbicos, comparadas a 96,6 mil metros cúbicos no mesmo período de 2025.
Em contrapartida, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram para 66,4 mil metros cúbicos, resultando em um saldo comercial negativo de aproximadamente 184,4 mil metros cúbicos, revertendo a posição historicamente favorável ao Brasil.
Setor sucroenergético busca novas oportunidades
Apesar dos desafios impostos pelas tarifas americanas, a StoneX acredita que o Brasil ainda possui competitividade no mercado global de biocombustíveis. Para o próximo ciclo, a estratégia deve incluir a diversificação de destinos e o fortalecimento das relações comerciais existentes.
Com uma oferta crescente e avanços na produção de etanol, o setor enfrenta o desafio de ampliar seus mercados para garantir a sustentabilidade econômica das usinas e manter o protagonismo brasileiro no cenário mundial de energia renovável.











