Previa: A proposta de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, discutida em audiência pública nos EUA, gera preocupações entre exportadores do agronegócio. A medida pode afetar significativamente a competitividade de produtos como café e etanol no mercado norte-americano.
O governo dos Estados Unidos deu início, nesta segunda-feira (6), a uma audiência pública em Washington para debater a implementação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Essa proposta, se aprovada, poderá impactar diretamente setores estratégicos do agronegócio, incluindo café, etanol e bioenergia.
A audiência é conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e se estenderá até terça-feira (7). Aproximadamente 40 empresas e entidades, tanto brasileiras quanto norte-americanas, se inscreveram para apresentar suas opiniões sobre a proposta.
Agronegócio brasileiro participa da audiência
Dentre as instituições que farão suas apresentações estão a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica). O senador Flávio Bolsonaro também está entre os inscritos.
Cada participante terá um tempo limitado de cinco minutos para expor seus argumentos, que foram previamente encaminhados ao USTR. Após as apresentações, os representantes do órgão poderão fazer perguntas adicionais para esclarecer pontos levantados.
Investigação comercial começou em 2025
A audiência é parte de uma investigação iniciada em 15 de julho de 2025, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Essa legislação permite ao governo dos EUA investigar práticas comerciais que possam ser prejudiciais aos seus interesses.
O foco da análise do USTR abrange seis áreas sensíveis nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, incluindo comércio digital, tarifas preferenciais e políticas de combate à corrupção, além de questões relacionadas ao etanol e ao desmatamento ilegal.
Governo brasileiro contesta proposta
Em resposta à investigação, o governo brasileiro enviou um documento oficial ao USTR contestando as conclusões preliminares e rejeitando os fundamentos que justificam a elevação das tarifas. O Itamaraty argumenta que as práticas comerciais do Brasil não prejudicam o comércio dos EUA e, portanto, não atendem aos requisitos legais para a adoção de medidas unilaterais.
O Brasil também solicita que os Estados Unidos se abstenham de aplicar qualquer sanção comercial enquanto a investigação estiver em andamento. O governo brasileiro enfatiza que não há vínculo jurídico entre as políticas adotadas pelo Brasil e as restrições ao comércio norte-americano.
Setores exportadores acompanham decisão
A possibilidade de uma tarifa adicional é observada com preocupação pelos setores exportadores, especialmente no agronegócio. A implementação da medida poderia reduzir a competitividade de produtos como café e etanol no mercado dos Estados Unidos, que é um dos principais destinos das exportações brasileiras.
A audiência pública representa uma etapa crucial no processo de investigação comercial e deverá influenciar a decisão final do governo norte-americano sobre a eventual adoção da sobretaxa. O desfecho dessa discussão poderá ter repercussões significativas para a economia do campo e para as relações comerciais entre os dois países.











