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Tamires Moreira integra a exposição Constelações Contemporâneas

A artista Tamires Moreira será um dos nomes presentes na exposição

A artista Tamires Moreira será um dos nomes presentes na exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, que entrará em cartaz no dia 5 de maio no Teatro Nacional Claudio Santoro, e é mais uma realização do Metrópoles Arte.

Com uma produção que parte da observação sensível do Cerrado, seu trabalho propõe uma pausa no ritmo acelerado do cotidiano para reconectar o olhar com a paisagem e com as formas de vida que resistem, mesmo diante de um cenário de constante transformação e ameaça.

A quem ainda não conhece sua trajetória, Tamires se define de maneira direta, mas carregada de significado: “Eu sou uma artista de paisagens. A paisagem, no meu trabalho, é um lugar de retorno e respiro.”

Essa relação não é apenas estética, como também afetiva e política. A artista constrói sua pintura a partir da convivência com o Cerrado, um dos biomas mais ricos e, ao mesmo tempo, mais pressionados do Brasil. “Eu me interesso pelo que cresce aqui, pelo que resiste ao clima duro, pelas formas de vida que continuam existindo…”, explica.

Obra de Tamires Moreira

Esse interesse pela resistência atravessa toda a sua obra. Em vez de buscar imagens idealizadas ou romantizadas da natureza, Tamires mergulha nas contradições do território.

“Existe uma força incrível nesse bioma que convive com um processo constante de destruição: queimadas, exploração e esquecimento”, afirma.

É justamente desse conflito — entre permanência e apagamento — que surgem suas pinturas. “Eu pinto a partir dessa tensão. Não tento idealizar a paisagem. O que me move é criar uma relação com esse território e sustentar o olhar sobre ele. Trazer presença para o que muitas vezes passa despercebido”, completa.

A participação na exposição marca também um desejo de ampliar o alcance dessa reflexão. Para a artista, ocupar um espaço como o Teatro Nacional é uma oportunidade de aproximar o público do Cerrado de maneira mais sensível e consciente. “Espero que mais pessoas possam se apropriar desse Cerrado, que elas percebam que esse território faz parte da vida delas”, diz. 

A artista é um dos nomes presentes na exposição Constelações Contemporâneas

O processo criativo de Tamires acompanha essa mesma lógica de imersão e escuta. Longe de soluções rápidas e imediatas, suas obras são construídas ao longo do tempo, em um ritmo que respeita a observação e a experiência. “Meu processo é longo e sem pressa. Eu começo observando a vegetação, os animais, a forma como tudo se adapta e sobrevive. Tento entender esses ritmos antes de pintar”, conta.

A escolha da tinta a óleo também dialoga com esse tempo mais dilatado. Segundo a artista, o material permite aprofundar camadas e construir a imagem de forma gradual, acompanhando o próprio fluxo da natureza que a inspira. “As cores, as formas e a luz vêm dessa convivência. A tinta a óleo acompanha esse ritmo mais lento e me permite aprofundar a pintura”, emenda. O resultado são obras que carregam densidade tanto no aspecto visual quanto no simbólico.

Mais do que representar o que vê, Tamires trabalha a partir do que a paisagem provoca internamente. “Eu não reproduzo o cerrado que vejo, pinto a partir do que ele deixa em mim. Essas obras carregam memória, corpo e experiência”, salienta.

Essa abordagem confere às pinturas um caráter subjetivo e, ao mesmo tempo, profundamente conectado ao real, criando uma ponte entre o território externo e o universo interno da artista.

Ao reunir essas camadas de observação, memória e experiência, o trabalho de Tamires Moreira se insere em um debate contemporâneo sobre meio ambiente, pertencimento e percepção. Suas obras não oferecem respostas prontas, no entanto, convidam o público a desacelerar, olhar com mais atenção e, sobretudo, reconhecer a potência e a fragilidade do Cerrado — um bioma que, como suas pinturas, resiste, mesmo sob pressão.

Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília

A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista.

O projeto dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupou o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo de 10 de dezembro até 13 de março.

Confira os nomes dos artistas participantes:

Andre Santangelo, Antônio Obá, Camila Soato, Capra Maia, Carlos Lin, Celso Junior, Christus Nóbrega, Courinos, David Almeida, Daniel Jacaré, Daniel Toys, Desirée Feldmann, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, Karina Dias, Leo Tavares, Luísa Gunther e Dupla Plus, Julio Lapagesse, Marcos Antony, Maria Porto, Marina Fontana, Nelson Maravalhas, Pamela Anderson, Paula Calderon, Patrícia Bagniewski, Raquel Nava, Raylton Parga, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meireles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victoria Serendinicki, Patricia Monteiro, Renato Rios, Bruna Zanatta e Virgílio Neto.

A exposição funciona como um manifesto da arte brasiliense, reunindo artistas de diferentes gerações, linguagens e pesquisas que ajudam a construir, diariamente, a identidade cultural do Quadradinho do DF. Com isso, ultrapassa sua herança modernista, apresentando Brasília como um organismo vivo, marcado por dinâmicas culturais, sociais e simbólicas em constante transformação.

Serviço

Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília

De 5 maio a 5 julho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional

Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita

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