Previa: O mercado da soja enfrenta um cenário desafiador, com quedas tanto no Brasil quanto no exterior, influenciado por uma oferta global elevada e um clima favorável nos Estados Unidos.
O setor de soja encerra o período em baixa, refletindo um ambiente internacional negativo. A combinação de uma oferta global robusta, demanda externa enfraquecida e um relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) que não trouxe grandes novidades contribui para essa tendência. Além disso, as condições climáticas favoráveis para as lavouras nos EUA e a queda dos preços em Chicago pressionam ainda mais o mercado.
Impacto do USDA e clima favorável nos EUA
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja continuam sob pressão. O USDA manteve suas projeções para a safra americana em 120,7 milhões de toneladas, com estoques finais de 8,44 milhões de toneladas. Essa estabilidade nas estimativas foi interpretada como um sinal de que a oferta global permanecerá ampla, o que não é favorável para os preços.
O avanço do plantio nos Estados Unidos, que já ultrapassa 87%, e as chuvas regulares na região do Meio-Oeste diminuem as preocupações com a produtividade. A falta de compras significativas por parte da China também contribui para a pressão, com as vendas semanais dos EUA apresentando queda acentuada.
Os contratos de soja chegaram a operar em torno de US$ 11,12 a US$ 11,14 por bushel, enquanto o mercado permanece atento às condições climáticas e à demanda internacional.
Volatilidade e fatores geopolíticos
O cenário geopolítico também tem gerado volatilidade nos preços. O avanço nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã resultou em uma redução das tensões no Oriente Médio, o que provocou uma queda acentuada nos preços do petróleo. Essa situação impactou negativamente as commodities agrícolas, incluindo a soja.
A melhora no sentimento global de risco, com a expectativa de um possível acordo diplomático, tem contribuído para a retirada de prêmios de risco nos mercados, afetando diretamente as cotações da soja em Chicago.
Pressão no mercado brasileiro
No Brasil, a liquidez do mercado físico da soja tem sido baixa, com negócios esporádicos e queda nos preços. A combinação da queda em Chicago e a desvalorização do dólar diminuiu o apetite dos vendedores e afastou compradores.
As indicações de preços recuaram entre R$ 1,50 e R$ 2,00 por saca em várias regiões produtoras, como Passo Fundo (RS), Cascavel (PR), Rondonópolis (MT) e Rio Verde (GO). Mesmo com uma leve alta no câmbio, o dólar próximo de R$ 5,10 não foi suficiente para compensar as perdas externas, resultando em um mercado travado.
Expectativas futuras e fatores a serem observados
Os mercados internacionais estão operando de maneira mista, com bolsas em alta, enquanto o petróleo apresenta forte queda. Essa situação amplia o viés negativo sobre o complexo da soja, que continua a ser influenciado por fatores como o clima, a demanda da China e o comportamento do câmbio no Brasil.
Nos próximos dias, o mercado da soja deve permanecer sensível a esses três fatores principais. Sem mudanças significativas nos fundamentos, a expectativa é de um ambiente lateral a baixista, com negócios limitados no mercado físico brasileiro e pressão contínua sobre os contratos em Chicago.











