Previa: A soja enfrenta oscilações no mercado após uma forte alta em Chicago, mas fatores como clima nos EUA e demanda externa continuam a sustentar os preços no Brasil.
A sexta-feira (26) começou com a soja em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), refletindo uma correção após os ganhos significativos da sessão anterior. O movimento é atribuído a uma realização técnica de lucros por parte de investidores, após uma valorização de quase 2% na quinta-feira (25), impulsionada por condições climáticas nos Estados Unidos e uma demanda robusta por parte do mercado externo.
Apesar da correção nos contratos futuros, o cenário para a oleaginosa permanece otimista no médio prazo. As atenções estão voltadas para as condições climáticas no cinturão agrícola dos EUA e para os relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que serão divulgados na próxima semana e poderão alterar as expectativas para a safra 2026/27.
Clima nos Estados Unidos continua sendo o principal fator de sustentação
Na quinta-feira, os contratos futuros encerraram em alta expressiva. O vencimento de julho fechou a US$ 11,27 por bushel, com uma valorização de 1,69%, enquanto agosto avançou 1,81%, alcançando US$ 11,37 por bushel. O mercado reagiu a previsões de temperaturas elevadas em regiões produtoras, aumentando as preocupações sobre os impactos no desenvolvimento das lavouras em uma fase crítica para a cultura.
Além do calor intenso, partes do Meio-Oeste americano enfrentam seca moderada, enquanto outras áreas lidam com excesso de umidade, mantendo o mercado em alerta quanto à evolução climática nas próximas semanas.
Exportações fortes e aproximação entre EUA e China reforçam o mercado
Outro fator que contribuiu para a valorização na sessão anterior foi o desempenho das exportações norte-americanas. As vendas semanais divulgadas pelo USDA superaram as expectativas, indicando uma demanda internacional consistente pela soja dos EUA. A retomada das conversas entre os Estados Unidos e a China sobre possíveis reduções tarifárias também alimenta expectativas de fortalecimento do comércio agrícola entre as duas potências.
Após a valorização expressiva, investidores começaram a realizar lucros nesta sexta-feira. Os contratos mais negociados apresentavam perdas entre 7 e 8 pontos, com o vencimento de julho sendo cotado próximo a US$ 11,20 por bushel e novembro em torno de US$ 11,49.
Brasil mantém preços firmes com apoio do dólar e dos prêmios
Mesmo com a correção em Chicago, o mercado físico brasileiro continua a mostrar sustentação. A valorização do dólar em relação ao real aumenta a competitividade das exportações brasileiras, atenuando o impacto negativo da queda dos contratos internacionais. Os prêmios de exportação permanecem elevados, acima de 100 pontos em diversos embarques, oferecendo suporte adicional aos preços nos portos e nas principais regiões produtoras.
No Porto de Rio Grande, a soja foi cotada a R$ 134 por saca, enquanto em Paranaguá também alcançou R$ 134. Em Santa Catarina, o preço em São Francisco do Sul ficou em R$ 132, e no Mato Grosso do Sul, diversas praças registraram novas altas, com destaque para Sidrolândia. O preço médio semanal no Mato Grosso atingiu R$ 106,73 por saca, o maior valor nominal registrado em 2026.
Comercialização segue limitada por gargalos logísticos
Apesar da melhora nos preços, a comercialização permanece lenta em várias regiões. Produtores estão cautelosos devido aos altos custos de frete, limitações de armazenagem e elevado nível de endividamento rural. Os custos logísticos continuam a pressionar a rentabilidade, especialmente em estados do Centro-Oeste, onde o transporte até os portos onera significativamente as operações de venda.
O mercado da soja se mantém sustentado por fundamentos positivos, especialmente com as incertezas climáticas nos EUA, a demanda internacional consistente e a expectativa pelos próximos relatórios do USDA. Embora a realização de lucros seja um movimento natural após altas expressivas, analistas acreditam que a volatilidade deve permanecer alta nos próximos dias. No Brasil, a combinação de um dólar forte, prêmios firmes e um bom ritmo de exportações deve continuar a oferecer suporte às cotações, enquanto os produtores monitoram o cenário internacional para identificar novas oportunidades de comercialização.











