Previa: Os preços da soja no Brasil superaram R$ 140, impulsionados pela demanda externa e preocupações climáticas nos EUA. O cenário atual sugere espaço para novas altas no mercado.
Os preços da soja estão em alta no Brasil e no exterior, refletindo uma combinação de fatores que incluem uma demanda externa robusta, a valorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago e um recorde nas exportações brasileiras. Com isso, a saca da oleaginosa ultrapassou novamente R$ 140 nos principais portos do país, um patamar que não era visto desde janeiro, antes do início da safra 2025/26.
Dados do Cepea indicam que a postura cautelosa dos vendedores brasileiros, a irregularidade das chuvas no Hemisfério Norte e as tensões geopolíticas no Oriente Médio também contribuíram para a valorização dos preços. Essa situação gerou um aumento na demanda por embarques imediatos e antecipou negociações envolvendo prêmios de exportação, evidenciando o interesse dos compradores internacionais pelo abastecimento brasileiro.
Exportações brasileiras batem novo recorde
A demanda internacional se destaca como um dos principais fatores que sustentam os preços da soja. Em junho, o Brasil exportou 14,49 milhões de toneladas da oleaginosa, o maior volume já registrado para o mês desde 1997. No primeiro semestre, os embarques totalizaram 69,57 milhões de toneladas, um crescimento de aproximadamente 35% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Esse desempenho reafirma a competitividade da soja brasileira no mercado global, especialmente em relação à forte demanda da Ásia. O aumento das exportações é um indicativo claro da capacidade do Brasil de atender às necessidades do mercado internacional.
Chicago volta aos US$ 12 com apoio das compras chinesas
No cenário internacional, os contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago voltaram a negociar acima de US$ 12 por bushel, atingindo os maiores níveis em cerca de dois meses. O retorno das compras chinesas de soja norte-americana, com vendas superiores a 700 mil toneladas, foi um dos principais fatores que sustentaram essa valorização.
Além disso, o mercado se aproxima do que é conhecido como “weather market”, onde as condições climáticas têm um impacto significativo nas cotações. As lavouras nos EUA estão em estágios críticos, e previsões de calor intenso e chuvas irregulares aumentam a incerteza, elevando o prêmio de risco nos preços.
Mercado interno segue firme, mas armazenagem preocupa
Apesar da recuperação dos preços, o setor enfrenta desafios logísticos significativos. A colheita do milho e o avanço das culturas de inverno aumentam a competição por espaço nos armazéns, dificultando a retenção de soja pelos produtores. No Rio Grande do Sul, as cotações estão em torno de R$ 139 por saca, enquanto em Santa Catarina, a elevada ocupação dos silos é uma preocupação para cooperativas e cerealistas.
No Paraná, a safra recorde de milho agravou a limitação de armazenagem, e em Mato Grosso do Sul, o déficit estrutural ultrapassa 12 milhões de toneladas, forçando muitos produtores a acelerar as vendas. Em Mato Grosso, a pressão logística e os altos custos de frete também são desafios enfrentados pelo setor.
Clima, petróleo e geopolítica ampliam volatilidade
Analistas destacam que o mercado está se tornando cada vez mais sensível a variáveis externas. As condições climáticas nos EUA, o comportamento das compras chinesas, os conflitos geopolíticos e as oscilações do petróleo influenciarão diretamente os preços da soja nas próximas semanas. O comportamento do dólar também será crucial para a formação dos preços internos e a competitividade das exportações brasileiras.
Estratégia é avançar nas vendas de forma gradual
Com o cenário atual, especialistas recomendam que os produtores aproveitem a recuperação das cotações para realizar vendas parciais, mantendo parte da produção para eventuais ganhos adicionais em caso de problemas climáticos nas lavouras dos EUA. Cooperativas devem intensificar a originação de grãos e acompanhar os prêmios de exportação, utilizando instrumentos de hedge para proteger margens.
As cerealistas devem priorizar compras escalonadas e evitar exposição excessiva ao mercado físico, enquanto as indústrias esmagadoras têm a oportunidade de ampliar a cobertura de matéria-prima em momentos de realização de lucros na Bolsa de Chicago.
Perspectivas permanecem positivas para a soja
No curto prazo, as perspectivas para o mercado da soja continuam positivas. A combinação de estoques globais ajustados, forte demanda internacional, retomada das compras chinesas e riscos climáticos durante o desenvolvimento da safra nos EUA mantém a sustentação para os preços. Para os próximos 30 a 60 dias, a expectativa é de estabilidade com viés de alta, dependendo da produtividade final das lavouras americanas e da continuidade das exportações brasileiras em níveis historicamente elevados.











