O Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento de água da região metropolitana de São Paulo, alcançou 51,2% de sua capacidade útil após as chuvas dos últimos meses, mas continuará operando na faixa de atenção durante o mês de novembro. Essa informação foi divulgada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) neste sábado (31).
O aumento no volume de água é um alívio, considerando que o reservatório vinha enfrentando níveis preocupantes ao longo do ano. As chuvas recordes de setembro e outubro foram cruciais para essa recuperação, embora o nível ainda esteja abaixo do ideal. A faixa de atenção é definida quando o armazenamento está entre 40% e 60%, o que implica em restrições na captação de água.
Durante o período em que o sistema opera na faixa de atenção, a Sabesp, companhia responsável pela gestão do Cantareira, tem autorização para retirar apenas até 31 metros cúbicos por segundo (m³/s) do reservatório. Em condições normais, essa captação poderia chegar a 33 m³/s. Essa limitação é uma medida preventiva para garantir a sustentabilidade do abastecimento de água na região.
Critérios de Monitoramento
A ANA e a SP Águas monitoram diariamente os níveis, vazões e armazenamento do Sistema Cantareira, seguindo os critérios estabelecidos pela Resolução Conjunta nº 925/2017. Essa resolução foi criada após a crise hídrica que afetou São Paulo entre 2014 e 2015, e define cinco faixas de operação: normal, atenção, alerta, restrição e especial, com limites específicos de captação de água para cada uma delas.
Essas faixas são fundamentais para a gestão hídrica do estado, pois orientam as ações a serem tomadas em situações de escassez. A faixa de atenção, por exemplo, exige um monitoramento rigoroso e um planejamento estratégico para evitar que o nível de água caia para condições mais críticas.
Importância do Sistema Cantareira
O Sistema Cantareira é composto por cinco reservatórios interligados: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, com um volume útil total de 981,56 bilhões de litros. Desde 2018, há também uma interligação entre a represa Jaguari e a represa Atibainha, o que melhora a eficiência do sistema.
Este sistema é responsável por abastecer cerca de metade da população da região metropolitana de São Paulo e também atende a outras áreas, como Campinas, nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Apesar de estar localizado em território paulista, parte das águas que alimentam o Cantareira provém de rios que têm nascentes em Minas Gerais, o que destaca a importância da gestão integrada dos recursos hídricos entre os estados.
A situação atual do Sistema Cantareira é um lembrete da vulnerabilidade hídrica enfrentada por São Paulo e a necessidade de políticas públicas eficazes para garantir a segurança hídrica a longo prazo. O monitoramento contínuo e a gestão responsável dos recursos hídricos são essenciais para evitar crises futuras e assegurar o abastecimento de água para a população.











