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Seguro rural cobre menos de 4% da área plantada e aumenta riscos no agro brasileiro

A baixa cobertura do seguro rural no Brasil, que atinge menos de 4% da área plantada, representa um desafio significativo para a sustentabilidade econômica do agronegócio.

Seguro rural cobre menos de 4% da área plantada e aumenta riscos no agro brasileiro

Previa: A baixa cobertura do seguro rural no Brasil, que atinge menos de 4% da área plantada, representa um desafio significativo para a sustentabilidade econômica do agronegócio. A falta de proteção contra eventos climáticos extremos pode transformar perdas produtivas em sérios problemas financeiros para os produtores.

O Brasil, conhecido por seus recordes de produção agrícola e por ser um dos maiores exportadores de alimentos, enfrenta um desafio crítico: a insuficiência do seguro rural. Atualmente, menos de 4% da área cultivada no país está protegida, o que deixa milhões de hectares vulneráveis a eventos climáticos severos, como secas e geadas. Essa situação é alarmante, pois a falta de cobertura pode gerar graves consequências financeiras para os agricultores e toda a cadeia produtiva do setor agropecuário.

Crédito cresce, mas proteção ainda é insuficiente

Apesar do recente anúncio do governo federal sobre o Plano Safra 2026/2027, que destina R$ 525,1 bilhões à agricultura empresarial, a expansão do crédito não se reflete em uma maior proteção através do seguro rural. A maior parte dos recursos, R$ 384,9 bilhões, será direcionada ao custeio e comercialização, enquanto apenas R$ 140,2 bilhões financiarão investimentos.

Sem mecanismos eficazes de proteção contra perdas climáticas, o aumento do crédito pode aumentar a exposição dos produtores e das instituições financeiras. Quando uma safra é afetada, os agricultores enfrentam dificuldades para honrar seus compromissos financeiros, o que pode levar a um ciclo de endividamento e redução de investimentos nas safras seguintes.

Subvenção ao seguro rural enfrenta limitações orçamentárias

O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) é o principal incentivo para a contratação de seguros agrícolas, com o governo subsidiando parte do valor das apólices. Contudo, o orçamento destinado a esse programa tem sido instável, com recursos executados em 2025 totalizando apenas R$ 565,3 milhões, bem abaixo do pico de R$ 1,15 bilhão em 2021.

Para 2026, a previsão é de R$ 1,01 bilhão, enquanto especialistas estimam que seriam necessários cerca de R$ 4 bilhões para atender à demanda. Essa discrepância compromete a expansão do seguro rural, especialmente em um contexto de aumento na frequência de eventos climáticos extremos.

Cobertura do seguro rural registra forte retração

A retração na cobertura do seguro rural é evidente nos números. Em 2021, o programa subvencionado alcançou 217,9 mil apólices, protegendo cerca de 14 milhões de hectares. Em contraste, em 2025, esse número caiu para 61,6 mil apólices, abrangendo apenas 3,2 milhões de hectares, o menor volume da última década.

As projeções para 2026 são ainda mais preocupantes, com estimativas indicando que a área segurada poderá recuar para cerca de 2,7 milhões de hectares, representando menos de 3% da área agrícola total do Brasil.

Impactos vão além da porteira

A falta de seguro rural não afeta apenas os agricultores, mas também toda a cadeia do agronegócio. Cooperativas, revendas de insumos e instituições financeiras são impactadas pela redução da produção e pela queda da renda no campo. Isso resulta em uma diminuição na oferta de alimentos e compromete a liquidez do setor, afetando a arrecadação de impostos e o emprego nas regiões produtoras.

Além disso, a ausência de proteção adequada pode limitar novos investimentos no setor, criando um ciclo vicioso de dificuldades financeiras e redução da competitividade.

Seguro rural também reduz custos para o poder público

Ampliar a cobertura do seguro rural pode representar uma economia significativa para o governo. Sem essa proteção, as perdas climáticas frequentemente levam a pedidos de renegociação de dívidas e novas linhas de crédito emergenciais, sobrecarregando os cofres públicos.

Com uma maior participação das seguradoras na absorção de prejuízos, os custos decorrentes de intervenções emergenciais podem ser reduzidos, aliviando a pressão sobre o orçamento público.

Falta de previsibilidade dificulta expansão do mercado

A imprevisibilidade na liberação de recursos para o PSR é outro fator que limita a expansão do seguro rural. Em 2025, cerca de R$ 445 milhões, ou 42% do orçamento previsto, foram bloqueados, o que comprometeu a oferta de apólices e desestimulou as seguradoras a ampliar suas operações.

Como a contratação do seguro depende do calendário agrícola, atrasos na liberação de recursos inviabilizam o planejamento tanto das seguradoras quanto dos produtores, limitando a efetividade das políticas públicas voltadas para o setor.

Clima mais instável exige avanço da gestão de riscos

Com a crescente frequência de eventos climáticos extremos e margens de rentabilidade cada vez mais apertadas, fortalecer o seguro rural se torna uma necessidade estratégica para o agronegócio brasileiro. Apesar de contar com uma política robusta de crédito agrícola, é essencial que a gestão de riscos evolua em paralelo à expansão da produção.

Sem uma previsibilidade orçamentária e uma maior cobertura securitária, os produtores continuarão expostos às oscilações climáticas, aumentando a vulnerabilidade financeira das propriedades e de toda a cadeia do agronegócio.

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