Previa: O relatório do Cenipa sobre a queda do voo da Voepass revela uma série de falhas técnicas e humanas que contribuíram para a tragédia, além de apontar a necessidade de melhorias na fiscalização da Anac.
Na última quinta-feira (23), o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresentou o relatório final sobre o acidente aéreo envolvendo um avião da Voepass, que caiu em Vinhedo, São Paulo, em agosto de 2024. O documento traz recomendações para a fabricante da aeronave, ATR, e para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), além de conclusões sobre as causas do acidente.
A investigação identificou que a queda do voo 2283 foi resultado de uma combinação de falhas técnicas na aeronave, erros da tripulação e deficiências na fiscalização. Ao todo, 39 itens foram destacados como conclusões relevantes no relatório.
Fatores Contribuintes para o Acidente
Entre os principais fatores apontados, destaca-se a formação de gelo que afetou a aeronave logo após a decolagem. O ATR 72-500 enfrentou condições severas de gelo durante todo o trajeto, e o sistema de degelo da asa direita apresentou falhas que não foram registradas no diário de bordo, impedindo a correção antes do voo.
Durante a viagem, a aeronave emitiu alertas de baixa velocidade e degradação de desempenho, mas os pilotos não seguiram os procedimentos de emergência recomendados. A distração da tripulação, que se envolveu em conversas pessoais, comprometeu a atenção aos instrumentos de voo.
Quando a aeronave perdeu sustentação e entrou em estol, o copiloto adotou uma manobra inadequada, puxando o manche em vez de empurrá-lo, o que agravou a situação e resultou em uma descida descontrolada antes do impacto com o solo.
O relatório também criticou a cultura de segurança da Voepass, que permitia a normalização de desvios, levando pilotos e mecânicos a não registrarem falhas técnicas para evitar a retirada das aeronaves de operação. O defeito no sistema de degelo, por exemplo, não foi reportado, permitindo que o voo ocorresse sem o reparo necessário.
Além disso, o Cenipa destacou falhas na fiscalização da Anac, que já havia identificado irregularidades em auditorias anteriores, mas não tomou medidas efetivas para mitigar os riscos operacionais da Voepass. Isso permitiu que a companhia continuasse suas operações mesmo diante de sucessivas degradações nos níveis de segurança.
Recomendações e Resposta da Voepass
Como resultado da investigação, o Cenipa propôs uma série de recomendações para prevenir futuros acidentes. As sugestões incluem melhorias nos alertas de desempenho da aeronave, revisão dos procedimentos para voos em condições de gelo e atualização dos processos de fiscalização da Anac.
Em resposta ao relatório, a Voepass expressou sua solidariedade às famílias das 62 vítimas do acidente e afirmou que sempre adotou procedimentos de segurança alinhados a padrões internacionais. A companhia ressaltou sua experiência de mais de 30 anos na aviação e a certificação IOSA, que atesta a conformidade com auditorias operacionais.
A Voepass também destacou que a tripulação do voo era experiente e estava devidamente treinada e certificada, e reafirmou seu compromisso em colaborar com as autoridades durante as investigações.











