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Festival Rainha das Matas celebra arte e cultura LGBTQIAPN+ na Amazônia em 2027

O festival Rainha das Matas, que acontece anualmente em Soure, no Pará, celebra a cultura e a arte de artistas LGBTQIAPN+ por meio de indumentárias feitas com materiais orgânicos.

Festival Rainha das Matas celebra arte e cultura LGBTQIAPN+ na Amazônia em 2027

Previa: O festival Rainha das Matas, que acontece anualmente em Soure, no Pará, celebra a cultura e a arte de artistas LGBTQIAPN+ por meio de indumentárias feitas com materiais orgânicos. Com foco na preservação ambiental e na valorização de saberes locais, o evento se tornou uma plataforma essencial para a visibilidade de vozes trans e travestis na Amazônia.

O Rainha das Matas surgiu em 2021, quando a artesã e multiartista Ágatha Felina teve a ideia de criar um festival que unisse arte, natureza e cultura em meio à comunidade do Pedral, no arquipélago do Marajó. O evento, que começou de forma improvisada, ganhou corpo e se tornou um dos festivais mais singulares da Amazônia, atraindo participantes de diversas partes do Brasil.

Com uma proposta transcentrada, o festival é um espaço de celebração e resistência para as comunidades LGBTQIAPN+. As candidatas são incentivadas a criar indumentárias utilizando apenas materiais orgânicos, refletindo a rica biodiversidade da região. Essa abordagem não só promove a arte, mas também reforça a importância da preservação ambiental.

Um espaço de visibilidade e resistência

Ao longo dos anos, o Rainha das Matas se consolidou como uma plataforma de visibilidade para artistas trans e travestis, promovendo debates sobre questões sociais e ambientais. A participação ativa da comunidade local, que já organizava eventos e atividades culturais, foi fundamental para o crescimento do festival.

O impacto do evento vai além das apresentações. Em 2026, a edição dedicada aos saberes das populações ribeirinhas destacou a sofisticação das criações, como a performance de Adra Sabi, que utilizou sementes de urucum em sua indumentária. Essas expressões artísticas atraem a atenção de um público cada vez maior, ampliando o alcance do festival.

A colaboração com artistas como Rafaela Kennedy, que assumiu a direção executiva em 2026, trouxe novas perspectivas e fortaleceu a organização do evento. A inclusão de uma equipe majoritariamente composta por pessoas trans foi uma das mudanças significativas, garantindo que a representatividade se estendesse aos bastidores do festival.

Transformando vidas e a economia local

O festival não apenas eleva a autoestima dos participantes, mas também gera um impacto econômico significativo na região. Com a presença de cerca de cinco mil pessoas na edição de 2025, o evento movimenta hotéis, restaurantes e pequenos comerciantes em Soure, contribuindo para o desenvolvimento local.

O Rainha das Matas já faz parte do calendário cultural do Marajó, com edições programadas para sempre no segundo domingo de abril. A próxima edição, marcada para 11 de abril de 2027, terá como tema “Encantos Quilombolas: Guardiãs da Floresta e da Liberdade”, continuando a pesquisa sobre as populações tradicionais da Amazônia.

Com planos de criar uma sede permanente para o projeto, Ágatha e Rafaela sonham em estabelecer um espaço que acolha oficinas, residências artísticas e encontros comunitários ao longo do ano. Essa iniciativa visa fortalecer a rede formada em torno do festival e garantir que as histórias e saberes locais continuem a ser compartilhados e valorizados.

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