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Protocolo inédito da Embrapa mapeia risco de contaminação em viveiros de peixes no Brasil

Um novo protocolo desenvolvido pela Embrapa Pesca e Aquicultura utiliza Sistemas de Informação Geográfica para mapear riscos de contaminação em viveiros de peixes, destacando a importância da vigilância sanitária...

Protocolo inédito da Embrapa mapeia risco de contaminação em viveiros de peixes no Brasil

Previa: Um novo protocolo desenvolvido pela Embrapa Pesca e Aquicultura utiliza Sistemas de Informação Geográfica para mapear riscos de contaminação em viveiros de peixes, destacando a importância da vigilância sanitária na aquicultura brasileira.

A pesquisa realizada pela Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) revelou que a interconexão entre viveiros de peixes em uma mesma bacia hidrográfica pode facilitar a transmissão de doenças. O estudo, inédito no Brasil, aplicou um protocolo italiano baseado em Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e busca reforçar a vigilância sanitária na piscicultura, prevenindo surtos de doenças.

Os resultados foram publicados na revista Frontiers in Marine Science e evidenciam que a dinâmica da água é crucial na propagação de patógenos, especialmente em sistemas produtivos que estão interligados hidrologicamente.

Tecnologia geoespacial cria mapa de risco sanitário na aquicultura

A metodologia utilizada foi desenvolvida pelo Istituto Zooprofilattico Sperimentale delle Venezie (IZSVe), da Itália, e adaptada à realidade brasileira em colaboração com a Embrapa. A ferramenta permite mapear propriedades aquícolas e classificá-las em níveis de risco de contaminação — alto, médio ou baixo — levando em consideração o fluxo da água na bacia hidrográfica.

O modelo também identifica a direção da conectividade hídrica entre os viveiros, considerando se estão a montante ou a jusante de possíveis focos de infecção, o que é essencial para a gestão de riscos sanitários.

Acantocéfalo foi escolhido como doença-modelo no estudo

O foco do estudo foi o acantocéfalo, um parasita que afeta principalmente o tambaqui (Colossoma macropomum), uma das espécies mais relevantes na piscicultura brasileira. A escolha do acantocéfalo se deu pela sua importância econômica e pela disponibilidade de dados sobre a doença, conforme explica a pesquisadora Patrícia Oliveira Maciel.

O ciclo do parasita envolve a liberação de ovos nas fezes de peixes infectados, que são ingeridos por crustáceos, servindo como hospedeiros intermediários. A infecção ocorre quando peixes saudáveis consomem esses organismos contaminados.

Perdas produtivas podem chegar a 20% do peso dos peixes

Além dos impactos sanitários, a presença do acantocéfalo gera prejuízos econômicos significativos. Peixes infectados podem apresentar uma redução de até 20% no ganho de peso esperado, o que afeta diretamente a produtividade e a rentabilidade das fazendas aquícolas, especialmente em regiões como a Amazônia.

Em locais onde a logística é desafiadora, pequenas perdas percentuais podem ter um impacto considerável na margem do produtor, tornando a vigilância ainda mais necessária.

Mapeamento dependeu de dados secundários por falta de acesso oficial

Um dos principais obstáculos enfrentados na pesquisa foi a falta de dados oficiais georreferenciados sobre a sanidade aquícola, que geralmente são responsabilidade de órgãos estaduais. Sem acesso a essas informações, os pesquisadores utilizaram dados secundários de estudos anteriores para viabilizar a análise.

Esse cenário destaca a necessidade de maior integração e transparência no compartilhamento de dados sanitários, que são fundamentais para o desenvolvimento de sistemas de vigilância mais eficazes.

Protocolo mostra como doenças se propagam pela água

O modelo validado confirma que a água pode atuar como vetor de disseminação de patógenos, transportando agentes infecciosos por longas distâncias dentro de uma bacia hidrográfica. O sistema considera dois tipos de fluxo: jusante, que é o sentido natural da água em direção à foz, e montante, que é o sentido contrário, em direção à nascente.

Com base nessa análise, o protocolo identifica propriedades em risco, classificando-as em três níveis: alto risco, médio risco e baixo risco, conforme a conectividade entre os viveiros.

Aquicultura amazônica apresenta desafios estruturais de rastreabilidade

O estudo também ressalta as limitações estruturais do setor aquícola no Brasil, especialmente na região amazônica. Entre os principais desafios estão a informalidade na produção, a baixa rastreabilidade sanitária e a falta de integração entre os elos da cadeia produtiva.

Diferentemente de cadeias mais organizadas, como a avicultura e suinocultura, a aquicultura ainda opera de forma fragmentada, dificultando ações coordenadas de prevenção e controle.

Perspectivas para a sanidade aquícola no Brasil

A validação do protocolo representa um avanço significativo na aplicação de inteligência geográfica na aquicultura. No entanto, sua implementação em larga escala depende de melhorias estruturais, como a integração de dados e o fortalecimento das políticas de vigilância sanitária.

Com esses avanços, o uso de ferramentas geoespaciais pode se tornar um aliado estratégico na prevenção de doenças e na promoção da sustentabilidade da piscicultura brasileira.

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