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Confronto em protesto contra projeto de lei sobre propriedade privada na Argentina

Um protesto em Buenos Aires contra um projeto de lei sobre propriedade privada resultou em confrontos entre manifestantes e a polícia, refletindo a polarização social em torno da proposta...

Confronto em protesto contra projeto de lei sobre propriedade privada na Argentina

Previa: Um protesto em Buenos Aires contra um projeto de lei sobre propriedade privada resultou em confrontos entre manifestantes e a polícia, refletindo a polarização social em torno da proposta do governo argentino.

Na quinta-feira (6), milhares de argentinos se reuniram em frente ao Congresso Nacional para protestar contra um projeto de lei que altera as regras sobre propriedade privada, promovido pelo presidente Javier Milei. A manifestação, marcada por intensas chuvas, rapidamente se transformou em um confronto com as forças de segurança.

A polícia utilizou balas de borracha, gás lacrimogêneo e jatos d’água para dispersar os manifestantes, que reagiram atirando pedras. O saldo dos confrontos incluiu ferimentos em dois policiais e um manifestante, além de dez prisões, conforme relatado por veículos locais.

Contexto do Projeto de Lei

O projeto de lei, que visa dificultar desapropriações e acelerar despejos, foi modificado para permitir seu debate no Senado. O governo retirou um ponto polêmico que liberava a venda de terras para estrangeiros, mas a insatisfação popular persiste. “Quero que o projeto inteiro seja derrubado”, afirmou Roxana Parapugna, socióloga de 51 anos, durante a manifestação.

Os manifestantes, organizados por sindicatos e partidos de esquerda, entoaram o lema “A pátria não está à venda”, evidenciando a resistência à proposta que, segundo críticos, poderia beneficiar interesses estrangeiros em detrimento da população local.

A proposta de “Lei de inviolabilidade da propriedade privada” enfrentou resistência não apenas nas ruas, mas também entre governadores que, tradicionalmente, apoiam o governo. A retirada do ponto que flexibilizava a venda de terras a estrangeiros foi uma tentativa de ganhar apoio, mas a oposição ao restante do projeto continua forte.

Dados da Universidade de Buenos Aires indicam que mais de 13 milhões de hectares do país pertencem a estrangeiros, o que levanta preocupações sobre a soberania nacional. Embora a legislação atual limite a venda de terras a 15%, há regiões onde esse percentual já é superado.

O projeto ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados, e as críticas se concentram em outros aspectos que buscam facilitar despejos e revogar restrições sobre terrenos afetados por incêndios. A situação reflete uma sociedade dividida e um governo que enfrenta desafios significativos para implementar suas políticas.

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