A consultoria Hedgepoint revisou sua projeção para a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil na safra 2026/27, reduzindo a estimativa em 1,4 milhão de toneladas, agora fixada em 38,5 milhões de toneladas. A revisão se deve principalmente ao menor teor de sacarose da cana-de-açúcar, impactado pelas chuvas durante o período de moagem, e à diminuição da quantidade de matéria-prima destinada à produção de açúcar, conforme divulgado pela consultoria.
Apesar da redução na estimativa de açúcar, a projeção para a moagem de cana permanece inalterada em 635,5 milhões de toneladas. Isso indica que a diminuição na produção de açúcar está relacionada ao aproveitamento da cana e às decisões das usinas, e não a uma queda no volume total de cana disponível.
Impacto das chuvas na qualidade da cana
A Hedgepoint também ajustou suas expectativas em relação ao mix de produção, prevendo que o açúcar representará 46,8% do total, uma queda em relação aos 47,7% projetados anteriormente. A analista Lívea Coda destacou que o ATR (açúcares totais recuperáveis) deve ficar abaixo de 135,6 quilos por tonelada de cana, uma redução em relação à previsão anterior de 138 quilos. Essas estimativas consideram as condições climáticas esperadas para o restante da safra, e uma possível recuperação do ATR e do mix açucareiro nas próximas semanas pode alterar a oferta no curto prazo.
Perspectivas para o mercado global de açúcar
Com a revisão na produção brasileira, a Hedgepoint projeta uma menor disponibilidade de açúcar para exportação, o que pode levar a um cenário de oferta global mais apertado. A consultoria estima um excedente de 1,4 milhão de toneladas no segundo trimestre de 2026, que deve cair para 452 mil toneladas no terceiro trimestre. Para o quarto trimestre de 2026, a previsão é de um déficit de 786 mil toneladas, seguido por um déficit de 823 mil toneladas no primeiro trimestre de 2027. Essas projeções dependem da evolução da produção e da demanda no mercado global.
Apesar da expectativa de uma oferta mais restrita, a Hedgepoint observa sinais de demanda fraca, como a desvalorização do açúcar negociado para embarque no porto de Santos. Além disso, a consultoria ressalta que a moagem e a produção de açúcar no Centro-Sul ainda podem superar os números da safra anterior, o que limita a possibilidade de uma escassez prolongada no mercado.
Essas mudanças nas projeções de produção e demanda refletem a complexidade do setor sucroalcooleiro, que enfrenta desafios climáticos e de mercado. A adaptação das usinas e a resposta do mercado às novas condições serão fundamentais para determinar o futuro da produção de açúcar no Brasil e seu impacto nas exportações e nos preços globais.











