Previa: O mercado de trigo no Brasil se mantém estável, impulsionado pela escassez da safra velha e pela baixa liquidez nas negociações. A combinação de oferta limitada e demanda moderada continua a sustentar os preços, especialmente para lotes de qualidade superior.
O cenário atual do mercado brasileiro de trigo é marcado por uma oferta reduzida da safra antiga, o que tem garantido a firmeza dos preços. A baixa liquidez, típica do período de entressafra, também contribui para a manutenção das cotações, que permanecem sustentadas por uma demanda moderada dos moinhos e a necessidade de importações.
De acordo com a análise da Safras & Mercado, os produtores estão hesitantes em comercializar, enquanto os moinhos realizam compras pontuais, enfrentando dificuldades para repassar os aumentos de custo da matéria-prima para os preços da farinha. Essa dinâmica resulta em um mercado equilibrado, mas pouco dinâmico.
Escassez de trigo de qualidade mantém preços firmes
Elcio Bento, analista do setor, destaca que a principal característica do mercado nesta semana é a baixa disponibilidade de trigo da safra velha, especialmente os lotes com padrão de qualidade superior. Essa escassez tem sido crucial para a sustentação dos preços, mesmo com a diminuição das transações comerciais.
No Paraná, as cotações do trigo pão se mantiveram estáveis, variando entre R$ 1.450 e R$ 1.500 por tonelada CIF moinho. No entanto, os negócios na faixa superior são limitados pela resistência dos compradores. Para lotes de qualidade superior destinados ao Norte do Estado, os preços indicados estão entre R$ 1.530 e R$ 1.550 por tonelada CIF.
Na semana encerrada em 2 de julho, a média dos preços FOB no interior paranaense foi de R$ 1.397 por tonelada, apresentando um recuo de 0,7% em relação à semana anterior. Apesar das oscilações, o mercado acumula uma valorização de 19% em 2026, refletindo a firmeza das cotações ao longo do ano.
Desafios no Rio Grande do Sul e fatores externos
No Rio Grande do Sul, a situação é ainda mais crítica, com uma forte restrição de oferta de trigo com baixos níveis de DON, um aspecto valorizado pela indústria moageira. Os moinhos têm concentrado suas aquisições em lotes de melhor qualidade, com preços entre R$ 1.300 e R$ 1.330 por tonelada FOB no interior.
Além da oferta limitada, outros fatores têm contribuído para a sustentação dos preços no mercado brasileiro. A necessidade de importações, a recuperação das cotações nas bolsas norte-americanas, o câmbio elevado e a baixa disponibilidade de trigo de alta qualidade são elementos que impedem uma queda mais acentuada dos preços.
As perspectivas para o mercado de trigo indicam que as negociações continuarão limitadas nas próximas semanas, com produtores e compradores distantes na formação de preços. A evolução das lavouras da nova safra será crucial para definir o comportamento das cotações no segundo semestre.
Enquanto isso, a combinação de oferta restrita, demanda cautelosa e a necessidade de abastecimento da indústria devem continuar a sustentar os preços do trigo, especialmente para os lotes de melhor qualidade. O acompanhamento atento das condições do mercado será fundamental para os agentes do setor nos próximos meses.











