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Preço do trigo cai no Sul com demanda fraca e dólar em queda

O preço do trigo no Sul do Brasil enfrenta uma queda acentuada devido à demanda fraca e à valorização do dólar, impactando diretamente a competitividade do produto nacional.

Preço do trigo cai no Sul com demanda fraca e dólar em queda

Previa: O preço do trigo no Sul do Brasil enfrenta uma queda acentuada devido à demanda fraca e à valorização do dólar, impactando diretamente a competitividade do produto nacional. Os moinhos adotam uma postura cautelosa, resultando em negociações limitadas.

O mercado de trigo no Brasil começou a semana sob pressão, refletindo uma combinação de demanda fraca e baixa liquidez. Nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, as transações permanecem limitadas, enquanto a recente queda do dólar diminui a competitividade do trigo nacional em relação ao importado.

Segundo a TF Agroeconômica, a desvalorização da moeda americana reduziu em cerca de R$ 15 por tonelada o custo do trigo importado. Essa situação pressiona ainda mais o mercado interno, dificultando a recuperação dos preços pagos aos produtores.

Mercado de trigo perde força no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, o volume de negócios foi estimado em apenas 12 mil toneladas, evidenciando um ritmo lento nas transações. A maioria dos moinhos está abastecida para julho, o que limita novas compras e contribui para a leve queda nos preços.

Até o final de junho, o trigo pão era negociado no interior do estado a cerca de R$ 1.350 por tonelada. Nas semanas seguintes, os preços recuaram para uma faixa entre R$ 1.320 e R$ 1.330, alcançando atualmente aproximadamente R$ 1.300 por tonelada para retirada em agosto.

A moagem também está abaixo do esperado, refletindo um consumo interno enfraquecido. A perda do poder de compra das famílias e mudanças nos hábitos de consumo têm reduzido a demanda por produtos derivados do trigo.

Produtores demonstram cautela para a safra 2025/26

Os produtores gaúchos estão preocupados com o elevado custo de produção e os riscos climáticos para a próxima safra. Entre os fatores que aumentam essa cautela estão os altos custos de implantação, preços considerados pouco atrativos e a possibilidade de influência do fenômeno El Niño.

Cooperativas nas regiões Central e Noroeste do Rio Grande do Sul já sinalizam uma possível redução de até 40% na área cultivada, embora esses números ainda não tenham confirmação oficial. A estimativa da Emater-RS aponta uma produção de cerca de 2,2 milhões de toneladas, bem abaixo das 3,8 a 4 milhões de toneladas da safra anterior.

Santa Catarina registra mercado praticamente parado

Em Santa Catarina, a comercialização de trigo também está estagnada. Os produtores estão retraídos, aguardando melhores oportunidades de venda, enquanto os compradores mantêm uma postura cautelosa.

Os negócios envolvendo trigo gaúcho destinados ao mercado catarinense foram registrados a R$ 1.350 por tonelada para trigo Tipo 1 e R$ 1.240 por tonelada para trigo Tipo 2. A única oferta observada foi de trigo branco a R$ 1.400 por tonelada, sem compradores interessados.

Paraná mantém foco no trigo importado do Paraguai

No Paraná, os moinhos priorizam a aquisição de trigo paraguaio, em função da qualidade e volume adequados às necessidades da indústria. As compras de trigo nacional estão restritas a oportunidades específicas, com ofertas médias em torno de R$ 1.450 por tonelada CIF.

Durante a semana, o volume negociado nos Campos Gerais ficou entre 8 mil e 10 mil toneladas. Na região Norte do estado, as indicações variaram entre R$ 1.520 e R$ 1.530 por tonelada, posto moinho, em um cenário de oferta limitada.

Perspectivas seguem dependentes da recuperação da demanda

O mercado de trigo no Brasil continua sob a influência da baixa demanda da indústria e da concorrência do cereal importado. Enquanto o consumo interno não mostrar sinais de recuperação e os moinhos permanecerem abastecidos, as negociações devem continuar limitadas e os preços pressionados.

Uma eventual redução da área cultivada no Sul pode alterar o equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos meses, aumentando a dependência do Brasil em relação às importações. A situação exige atenção dos produtores e do mercado, que aguardam por mudanças significativas no cenário econômico e climático.

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