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Escassez de trigo de qualidade no Sul do Brasil eleva preços e diferenciações

A qualidade dos grãos de trigo tem se tornado um fator crucial na formação dos preços no Sul do Brasil, especialmente diante da escassez de lotes que atendem às especificações...

Escassez de trigo de qualidade no Sul do Brasil eleva preços e diferenciações

A qualidade dos grãos de trigo tem se tornado um fator crucial na formação dos preços no Sul do Brasil, especialmente diante da escassez de lotes que atendem às especificações exigidas pela indústria. Com a colheita da safra nova em andamento, os moinhos adotam uma postura seletiva nas compras, o que resulta em uma ampliação da diferença de preços entre os lotes de qualidade superior e aqueles de menor padrão.

De acordo com Thiago Oleto, analista da Safras & Mercado, o mercado de trigo encerra a semana com baixa liquidez e operações limitadas. O avanço gradual da colheita, aliado às interrupções causadas por chuvas, impacta tanto a disponibilidade do produto quanto o ritmo das negociações. Essa situação é especialmente evidente no Paraná, onde a menor oferta de trigo Tipo 1, que possui peso hectolitro (PH) de 78, tem sustentado os preços em patamares elevados.

Preços em Alta no Paraná

No estado paranaense, as referências de venda para o trigo Tipo 1 estão em torno de R$ 1.780 por tonelada CIF Curitiba, R$ 1.570 em Maringá e R$ 1.600 em Cascavel e Ponta Grossa. Para lotes com PH 75 e Falling Number (FN) de 200, os preços variam entre R$ 1.450 e R$ 1.500 por tonelada CIF, enquanto o trigo com PH 73 apresenta uma indicação próxima de R$ 1.250 por tonelada. Oleto destaca que a escassez de cereal com PH 78 tem aumentado a diferença de preços entre os padrões disponíveis, tornando as características de cada lote decisivas nas negociações com compradores industriais.

As chuvas recentes interromperam a colheita em algumas regiões do Paraná, mas a previsão de condições climáticas mais favoráveis a partir de 16 de outubro pode permitir a retomada das atividades. Essa retomada é crucial para que os produtores consigam atender à demanda do mercado e minimizar as perdas potenciais.

Desafios no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, a colheita está apenas no início, com atividades limitadas à região das Missões. As indicações de venda para o trigo Tipo 1, com PH 78, estão em torno de R$ 1.680 por tonelada CIF Porto Alegre, R$ 1.600 em Carazinho e R$ 1.580 em Santa Rosa. No mercado da safra velha, existe uma disparidade entre as expectativas dos vendedores, que pedem cerca de R$ 1.600 por tonelada, e os compradores, que indicam aproximadamente R$ 1.550.

Para a nova safra, foram registrados negócios isolados em torno de R$ 1.400 por tonelada FOB, sem incluir o frete. Além disso, o aproveitamento industrial enfrenta limitações devido a problemas de qualidade, como níveis elevados de desoxinivalenol (DON), o que exige atenção especial na segregação dos lotes e no atendimento às exigências dos compradores.

Mercado de Trigo para Ração e Desafios Logísticos

No segmento de trigo destinado à alimentação animal, os preços são inferiores aos do trigo Tipo 1. No início da semana, as referências estavam em torno de R$ 1.100 por tonelada sobre rodas no porto gaúcho, com uma nova referência de R$ 1.150 por tonelada para entrega no final de dezembro, embora ainda sem confirmação de volume negociado. Essa diferença de preço reflete a variação de qualidade entre os produtos, evidenciando a seletividade do mercado.

Em Minas Gerais, as referências de preços variam conforme a localização e a modalidade de entrega, com valores próximos de R$ 1.410 por tonelada FOB e entre R$ 1.500 e R$ 1.800 por tonelada CIF. Oleto aponta que os altos custos de transporte e a incidência de ICMS dificultam as operações interestaduais, especialmente com compradores de Goiás. Nesse cenário, o ritmo da colheita e a proporção de lotes que atendem às exigências da indústria são determinantes para a comercialização do trigo, com a seletividade dos moinhos mantendo o mercado segmentado e favorecendo produtos de qualidade superior.

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