Previa: O preço do milho no Brasil registrou uma alta significativa em agosto, impulsionado pela oferta limitada e pela cautela dos produtores. A valorização média da saca atingiu R$ 66,61, refletindo uma tendência de mercado que pode impactar a cadeia produtiva.
O mercado de milho no Brasil encerrou agosto com preços elevados e uma movimentação reduzida nas negociações. Apesar do avanço na colheita da segunda safra nas principais regiões produtoras, a oferta permaneceu restrita, uma vez que os agricultores mostraram-se cautelosos em ampliar as vendas nos valores disponíveis.
Segundo levantamento da Safras & Mercado, o preço médio da saca de milho alcançou R$ 66,61 no dia 31 de agosto, representando uma valorização de 7,86% em comparação aos R$ 61,75 registrados no final de julho. Em algumas localidades, a alta mensal superou 10%, com destaque para Rondonópolis, em Mato Grosso, onde o cereal valorizou 19,64%.
Produtores limitam oferta de milho
A resistência dos produtores em negociar contribuiu para a sustentação dos preços. Apesar da entrada do milho da safrinha no mercado, os vendedores optaram por disponibilizar volumes reduzidos, priorizando propostas em patamares mais altos. Essa postura restringiu a liquidez e impediu que a colheita pressionasse os preços para baixo.
Durante a primeira metade de agosto, a demanda dos consumidores foi moderada, com estoques considerados suficientes para atender às necessidades imediatas. No entanto, na segunda quinzena, alguns compradores começaram a buscar novos lotes com mais frequência, o que ajudou a sustentar os preços, embora sem provocar uma aceleração nas negociações.
Valorização nas principais praças
A média nacional do milho subiu de R$ 61,75 para R$ 66,61 por saca entre o final de julho e o encerramento de agosto. Em Cascavel, no Paraná, o preço subiu para R$ 64, um aumento de 4,92%. Em Campinas, São Paulo, a cotação avançou 8,89%, passando de R$ 67,50 para R$ 73,50 por saca.
Rondonópolis se destacou com a maior valorização, onde o preço da saca saltou de R$ 56 para R$ 67, uma alta de 19,64%. Em Rio Verde, Goiás, a saca encerrou agosto cotada a R$ 65, um aumento de 14,04%. Em Minas Gerais, o preço também alcançou R$ 65 por saca, com um crescimento de 6,56% em relação ao mês anterior.
Fatores que influenciam o mercado
Além do mercado físico, a atenção dos produtores e compradores também se voltou para os contratos futuros negociados na B3 e na Bolsa de Chicago. As oscilações nessas bolsas têm um impacto significativo nas expectativas de preço e nas decisões de venda no mercado interno.
Outro fator importante foi o avanço da paridade de exportação. Com condições mais atrativas para embarques, o mercado externo passou a competir por uma parte maior da produção brasileira, oferecendo suporte adicional às cotações internas.
No cenário internacional, o relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe novas expectativas. A redução dos estoques finais norte-americanos e a diminuição da produtividade média das lavouras reforçaram a percepção de que a disponibilidade mundial do cereal pode ficar mais restrita.
As tensões geopolíticas na região do Mar Negro também permanecem como um fator de incerteza. Eventuais interrupções logísticas ou restrições às exportações podem alterar os fluxos globais e impactar os preços. Assim, o comportamento do milho no Brasil nos próximos meses dependerá da disposição dos produtores para vender e da dinâmica de compra das indústrias.











