Previa: O preço do milho no Brasil enfrenta uma pressão significativa devido ao avanço da colheita da safrinha, enquanto fatores externos, como o clima nos EUA e a valorização do petróleo, ajudam a limitar as perdas nas cotações internacionais.
O mercado de milho no Brasil está em um momento delicado, com a colheita da segunda safra avançando rapidamente. Essa situação tem ampliado a oferta do produto, resultando em uma queda nos preços tanto na Bolsa Brasileira (B3) quanto no mercado físico. Apesar dessa pressão interna, as cotações internacionais estão recebendo suporte, principalmente devido à valorização do petróleo e às incertezas climáticas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos.
Colheita da safrinha e suas consequências
A análise da TF Agroeconômica destaca que o avanço da colheita da safrinha é o principal fator que tem pressionado os preços internos do milho. Com maior disponibilidade do produto, o interesse dos compradores diminuiu, dificultando uma recuperação nas cotações. A B3, por sua vez, acompanhou a tendência negativa observada em Chicago.
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) revisou levemente para cima sua estimativa de produção em Mato Grosso, que deve registrar uma safra 3,54% superior à do ano anterior. Essa revisão é um indicativo de que a colheita está avançando de forma satisfatória no estado, que se aproxima do final das atividades de campo.
Na quarta-feira, os contratos futuros na B3 apresentaram quedas significativas. O contrato para setembro/2026 fechou a R$ 68,57, enquanto novembro/2026 e janeiro/2027 também registraram perdas. Na abertura do pregão desta quinta-feira (6), o movimento baixista continuou, com o contrato de setembro sendo negociado a R$ 67,96.
Mercado físico e comportamento das regiões produtoras
No mercado físico, as negociações estão lentas, refletindo a cautela entre vendedores e compradores. No Rio Grande do Sul, os preços variam entre R$ 58 e R$ 63 por saca, com uma média estadual de R$ 58,94, uma leve queda na semana. Em Santa Catarina, a diferença entre os preços pedidos pelos vendedores e os valores oferecidos pelos compradores tem reduzido a liquidez das transações.
No Paraná, a colheita já alcançou 52% da área cultivada, e as condições climáticas têm favorecido o avanço das operações. As lavouras estão em sua maioria em boas condições, o que é um sinal positivo para a produção. Em Mato Grosso do Sul, as cotações variam entre R$ 48 e R$ 50 por saca, com a demanda das usinas de bioenergia ajudando a equilibrar o mercado.
Fatores externos e suas influências
Enquanto o Brasil foca na colheita, o mercado internacional observa atentamente as condições climáticas nos Estados Unidos. Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros operaram de forma estável, com pequenas oscilações nos preços. A valorização do petróleo tem gerado expectativas em relação à demanda por etanol e combustíveis renováveis, oferecendo um suporte técnico ao milho.
Entretanto, o clima nos EUA continua sendo um fator decisivo. Se as condições climáticas se mantiverem favoráveis, a expectativa de uma safra abundante pode pressionar ainda mais os preços globais. O mercado permanece cauteloso, monitorando as previsões meteorológicas que podem impactar o desenvolvimento das lavouras.
Perspectivas futuras para o milho
A combinação da grande oferta da safrinha brasileira, o avanço das comercializações e a expectativa de uma produção robusta nos EUA mantém o mercado de milho sob forte pressão. Fatores externos, como as oscilações no mercado de energia e o comportamento dos fundos de investimento, também desempenham um papel crucial na determinação dos preços.
No curto prazo, analistas preveem que a tendência de preços pressionados deve continuar, embora episódios de volatilidade possam surgir devido a mudanças no cenário climático ou nas condições econômicas globais. O acompanhamento atento das variáveis internas e externas será fundamental para entender os próximos passos do mercado de milho.











